Grupo Techint prepara recurso na Justiça para tentar retomar comando da Usiminas, diz fonte

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016 18:41 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - O grupo industrial italiano Techint pretende levar a disputa em torno do controle da gestão da Usiminas USIM5.SA ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) em 2017, caso os recursos encaminhados à Justiça de Minas Gerais não sejam aceitos, afirmou uma fonte próxima do assunto.

A companhia aguarda até fevereiro um posicionamento final do Tribunal de Justiça de Minas Gerais sobre a anulação em outubro da decisão de maio do conselho de administração da Usiminas, que resultou no retorno à presidência do executivo Rômel Erwin de Souza.

O pedido de posicionamento ao TJ mineiro foi encaminhado na forma de embargos de declaração. O instrumento argumenta que houve omissão de teses da defesa na decisão que fez o executivo Sergio Leite, indicado pela Techint, ser substituído por Souza, indicado da Nippon Steel (5401.T: Cotações).

Além do embargo apresentado pela Techint por meio de empresas controladas como a Ternium (TX.N: Cotações), os conselheiros indicados pelo grupo italiano, Guilherme Poggiali Almeida e Oscar Montero Martinez, e o presidente do conselho da Usiminas, Elias Brito, encaminharam recursos semelhantes.

Techint e Nippon Steel travam desde 2014 uma intensa disputa pelo controle da Usiminas, que em meados deste ano conseguiu evitar a ameaça de um processo de recuperação judicial por meio de um refinanciamento de dívidas de cerca de 6 bilhões de reais acertado junto aos maiores do bancos do país.

Em 13 de dezembro, Brito, Almeida e Martinez assinaram carta conjunta pedindo orientação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que esperam que sirva de base para novos questionamentos na Justiça contra a atual diretoria da Usiminas.

A carta recebeu assinaturas também do representante dos acionistas minoritários da Usiminas, Francisco da Costa e Silva; e do indicado pelos funcionários da empresa, Luiz Carlos de Miranda Faria.

Procurada nesta segunda-feira, a CVM afirmou que o documento foi recebido e está em fase de análise pela autarquia, sem prazo para um posicionamento final.

(Por Alberto Alerigi Jr. e Guillermo Parra-Bernal)