BC anuncia ações para melhorar economia, mas sem prazo para implementá-las

terça-feira, 20 de dezembro de 2016 13:36 BRST
 

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central anunciou nesta terça-feira uma série de medidas que estuda para ajudar a impulsionar a economia, mas sem um horizonte para implementação, ecoando esforços do governo do presidente Michel Temer para sinalizar ação em meio à profunda recessão e perspectiva de lenta retomada da atividade.

"É agenda de trabalho de hoje e dos próximos anos. Tem o objetivo de tratar das questões estruturais do Banco Central e dos sistema financeiro nacional. Não é necessariamente medida de curto prazo", afirmou o presidente do BC, Ilan Goldfajn.

"Nem tudo está detalhado, nem tudo é uma medida de lei. Nada disso. Tudo isso que a gente está olhando vai indicar as diretrizes, que é onde a gente caminha", completou.

Dentro desse escopo, está sendo preparada a criação do depósito remunerado como instrumento auxiliar às operações compromissadas, que são usadas para retirar ou injetar liquidez nos mercados financeiros.

Segundo Ilan, o objetivo não é promover a substituição de um instrumento pelo outro, mas contar com um mecanismo adicional. Ele acrescentou que a ideia não é relacionar o depósito remunerado com questões fiscais ou de administração da dívida bruta.

O uso de depósitos remunerados de reservas excedentes dos bancos como alternativa ao uso exclusivo de operações compromissadas já havia sido levantado pelo governo da ex-presidente Dilma Rousseff.

O efeito prático da substituição de parte das operações compromissadas por esses depósitos seria a queda da dívida pública bruta como proporção do Produto Interno Bruto (PIB), considerada o principal indicador de sustentabilidade das contas públicas e que segue em trajetória de deterioração diante de sucessivos déficits primários.

Ilan apontou que os depósitos remunerados já são utilizados por bancos centrais em outras partes do mundo e que, no caso brasileiro, serviriam como uma ferramenta complementar.   Continuação...

 
Presidente do Banco Central,  Ilan Goldfajn, em entrevista à Reuters em Brasília
15/09/2016 REUTERS/Adriano Machado