Bovespa sobe 0,83% com ganhos de setor financeiro, mas política ainda preocupa

terça-feira, 20 de dezembro de 2016 18:59 BRST
 

Por Flavia Bohone

SÃO PAULO (Reuters) - O principal índice da Bovespa encerrou no azul nesta terça-feira, após fechar no menor patamar em três meses na véspera, com as ações do setor financeiro entre os destaques positivos, mas com a cautela com a cena política ainda presente nos negócios.

O Ibovespa subiu 0,83 por cento, a 57.582 pontos. Na máxima da sessão, o índice avançou 1,41 por cento e se aproximou novamente dos 58 mil pontos, tendo recuado 0,13 por cento na mínima do dia.

O volume financeiro foi de 6 bilhões de reais, abaixo da média diária para o mês até a véspera, de 10 bilhões de reais e também inferior à media diária do ano, de 7,5 bilhões de reais.

O setor financeiro, que já iniciou os negócios no azul, ganhou impulso com as declarações do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, que indicou que o governo não vai reduzir o custo de crédito de forma artificial, usando bancos públicos. Os comentários de Ilan foram feitos durante apresentação do BC de ações para melhorar a economia, embora sem prazo para implementação.

"A perspectiva de maior transparência do BC -e a não intervenção na economia, que era algo que se temia e vinha fazendo preço sobre alguns papéis em bolsa- é vista como positiva pelos economistas", escreveram analistas da corretora Guide Investimentos, acrescentando, no entanto, que o anúncio também teve seu lado decepcionante pela ausência de medidas concretas.

Segundo operadores, as preocupações com o cenário político ajudaram a manter alguma volatilidade na sessão e devem continuar no radar até que se tenha mais clareza sobre as delações no âmbito da operação Lava Jato e seus impactos no governo.

Nesta sessão, em um alerta sobre possível atrito entre Executivo e Legislativo, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto da dívida dos Estados, permitindo o alongamento dos débitos por 20 anos em um texto que também cria o Novo Regime de Recuperação Fiscal, mas contrariou o Ministério da Fazenda ao retirar parte das contrapartidas que promovem ajustes fiscais nas contas estaduais.

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