ANÁLISE-Temer tem poucas armas e apenas 2017 para colocar economia nos eixos

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016 14:57 BRST
 

Por Luiz Guilherme Gerbelli

SÃO PAULO (Reuters) - A dois anos de encerrar o seu mandato, o presidente Michel Temer terá, na prática, apenas 2017 para colocar a cambaleante economia brasileira nos eixos e, para isso, poderá contar basicamente com alívio na política monetária, ao mesmo tempo em que precisará ter capacidade de articulação para garantir votações de importantes medidas no Congresso Nacional.

O fundamental, segundo especialistas consultados pela Reuters, é que o governo aja com rapidez e decisão para recuperar a confiança abalada recentemente pela falta de reação da atividade e pela intensa crise política.

"As crises econômica e política se retroalimentam. O governo não está conseguindo romper esse ciclo com medidas que favoreçam o crescimento", afirma o cientista político e professor do Insper, Carlos Melo.

O prazo, no entanto, é curto, uma vez que a eleição presidencial de 2018 deve começar a pautar as discussões e articulações políticas a partir do segundo semestre do ano que vem, além de impor travas legais sobretudo com investimentos públicos em 2018.

"Haverá um calendário político complicado pela frente e pouco amigável para seguir com reformas. E, ao fim do primeiro semestre de 2017, já entramos na lógica eleitoral de 2018", diz Melo.

Sem espaço para aumentar gastos, a equipe econômica deve se apoiar na redução da taxa básica de juros para aliviar a situação da economia, ao tentar baratear o crédito e abastecer o consumo. O BC já reduziu a Selic em duas ocasiões, em 0,25 ponto percentual cada, para 13,75 por cento ao ano. E sinalizou que vai acelerar o passo daqui para frente.

"A queda da inflação abre um bom espaço para o recuo dos juros, mas esse efeito só vai chegar na economia se os spreads pararem de subir", afirma a economista e sócia da consultoria Tendências, Alessandra Ribeiro, acrescentando que o ambiente de risco tem impedido a redução dos spreads bancários, diferença entre o custo de captação do banco e a taxa efetivamente cobrada ao consumidor final.

Nas contas dela, cada corte de 0,25 ponto na Selic costuma gerar crescimento de 0,1 ponto percentual no Produto Interno Bruto (PIB) ao final de 4 trimestres mas, acrescentou a economista, diante dos cenários econômico e político turvos, essa transferência pode ter perdido potência.   Continuação...

 
Consumidores observam loja em São Paulo. 21/12/2016. REUTERS/Paulo Whitaker