ENTREVISTA-Kinea, do Itaú Unibanco, pode lançar fundo de infraestrutura em 2017

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016 14:50 BRST
 

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - A Kinea, braço de investimentos alternativos do Itaú Unibanco, pode entrar no setor de infraestrutura em 2017, lançando um fundo para comprar debêntures incentivadas, disse o presidente-executivo da instituição, Marcio Verri.

"A tendência de menor participação do BNDES e de capital próprio das empresas nos projetos abre oportunidades para investidores privados como nós fazermos parte dessa cadeia", disse Verri em entrevista à Reuters, sem estimar valores.

O lançamento de um fundo para infraestrutura significaria a entrada num quarto segmento da gestora, que hoje tem seus mais de 10 bilhões de reais sob gestão divididos nos setores imobiliário (5,5 bilhões), fundos multimercado (3,3 bilhões) e de private equity (1,3 bilhão).

Segundo o executivo, a infraestrutura pode ser um dos setores mais ativos no mercado de capitais brasileiro em 2017 se o cenário macroeconômico melhorar, especialmente com a aprovação da reforma da previdência, o que abriria espaço para uma queda mais acentuada da taxa básica e elevaria o apetite do mercado por ativos que ofereçam retornos superiores no longo prazo.

Enquanto avalia estrear em infraestrutura, a Kinea faz planos para lançar um novo fundo de private equity, também sem valor revelado. Assim como nos dois fundos anteriores, o foco será investimento minoritário em empresas com boas perspectivas de geração de caixa, em segmentos como serviços. A previsão é de que a captação comece no ano que vem e termine em 2018.

O executivo disse que a Kinea tem "curiosidade" por empresas de inovação, tais como startups de serviços financeiros, as chamadas fintechs, mas não encontrou nenhuma que tenha mostrado boa capacidade de geração de resultados.

"Nosso foco é em Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização)", disse Verri.

A carteira de private equity da Kinea inclui participação em empresas como a locadora de veículos Unidas, a varejista de vestuário Lojas Avenida, o grupo de ensino superior Uninter, a empresa de logística AGV, a rede de laboratórios Delfim e uma fatia remanescente no grupo de publicidade ABC.   Continuação...