ANÁLISE-Acordo inédito com francesa revela Petrobras mais aberta para estrangeiros

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016 16:36 BRST
 

Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Ao anunciar uma aliança estratégica com a francesa Total de natureza e porte inéditos em sua história, a Petrobras mostrou que está disposta a compartilhar bons ativos brasileiros em troca de conhecimento e fôlego financeiro, tornando o país mais atrativo para estrangeiros.

O acordo, de 2,2 bilhões de dólares, anunciado na noite de quarta-feira, envolve a venda de direitos em áreas no pré-sal, compartilhamento de terminal de regaseificação, transferência de fatias em térmicas, entre outros negócios, incluindo a troca de informações estratégicas sobre ativos.

O professor e membro do Grupo de Economia da Energia da UFRJ Helder Queiroz destacou que além de oferecer acesso a tecnologia em áreas como a exploração de petróleo em mar, o acordo traz à Petrobras recursos importantes em um momento em que a petroleira precisa equilibrar seu balanço financeiro.

"É um marco importante... uma operação que eu chamaria de a aliança estratégica mais bem estruturada dos últimos tempos e acho que promissora para as duas empresas; elas têm ativos e competências complementares e acho que isso pode ser útil, especialmente neste momento", afirmou Queiroz, ex-diretor da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

O negócio garante uma entrada no caixa da Petrobras de 1,6 bilhão de dólares na conclusão da operação, prevista para ocorrer em cerca de 60 dias, além de pagamentos contingentes e o carrego de investimentos no desenvolvimento de ativos.

Dentre os acordos, a Petrobras se comprometeu em transferir a operação e 35 por cento do campo de Lapa, já produzindo no pré-sal da Bacia de Santos, ficando com apenas 10 por cento da concessão, e marcando a segunda vez que a companhia abre mão de recursos das promissoras áreas do pré-sal.

Além disso, a Petrobras concordou em ceder direitos de 22,5 por cento para a Total na área da concessão de Iara, no bloco BM-S-11, também no pré-sal. Pelo acordo, a Petrobras continuará como operadora, detendo a maior participação, de 42,5 por cento.

Queiroz destacou, no entanto, que a venda no pré-sal neste caso é diferente do negócio da Petrobras com a norueguesa Statoil, já que no acordo anterior a empresa se desfez inteiramente da descoberta de Carcará, também em Santos.   Continuação...