Produtores de trigo dos EUA se preocupam com descasamento de preços em contratos futuros

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016 16:15 BRST
 

CHICAGO (Reuters) - O produtor de trigo do Kansas Michael Jordan está rompendo com uma tradição secular que produtores de grãos têm usado para proteger seus negócios: ele parou de usar contratos futuros negociados em bolsa para proteger sua colheita de riscos na comercialização.

O contrato de trigo de Kansas City operado pelo CME Group é referência de preços para moinhos, exportadores e outros compradores de grãos tanto para as cotações atuais quanto para as futuras. Tradicionalmente, as cotações dos contratos futuros convergem com o preço do trigo vendido em mercados físicos locais.

Mas Jordan e outros agricultores dos Estados Unidos disseram que não confiam mais nesta ferramenta de hedge, em meio a crescentes reclamações entre produtores e comerciantes de grãos de que o contrato de trigo duro vermelho de inverno (HRW) está quebrado.

Os últimos três contratos que expiraram estavam descasados, por uma margem maior do que o normal, em relação às cotações nos locais oficiais de entrega, com os preços físicos mais baixos em 25 por cento ou mais, segundo dados de bolsas e do mercado físico.

A Commodity Futures Trading Commission (CFTC), órgão regulador do mercado de capitais nos EUA, "está bem ciente do problema", mas não fez nenhuma promessa sobre se ou como a questão será resolvida, disse o presidente da Comissão de Trigo do Kansas, Justin Gilpin, que se encontrou com o presidente do conselho da CFTC, Timothy Massas, em Kansas City em agosto.

A bolsa sabe, também, que há um problema, mas tem sido reticente em fazer qualquer promessa, disse David Schemm, presidente da Associação Nacional de Produtores de Trigo.

Procurada pela Reuters, a CFTC não quis comentar.

Um porta-voz do CME disse que "nós continuamos a debater com uma ampla gama de consumidores neste mercado sobre suas preocupações", mas não quis comentar detalhes sobre o assunto.

O problema está semeando incerteza financeira em toda a economia agrícola, desde silos até moinhos, além de seguradoras e bancos do agronegócio.   Continuação...