Crise patrocina crescimento do seguro de crédito no Brasil

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016 15:20 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - A piora do perfil de crédito corporativo no Brasil, na esteira da recessão, tem contribuído para aumentar a demanda do seguro de crédito, e deve ganhar força nos próximos anos devido a regras regulatórias para bancos, segundo profissionais do setor.

Mesmo em um ano de desaceleração do mercado segurador, os prêmios emitidos no segmento cresceram 18,8 por cento de janeiro a setembro, ante mesma etapa de 2015, para 520 milhões de reais, segundo a Superintendência de Seguros Privados (Susep).

Instrumento ainda pouco conhecido no país, o seguro de crédito tem sido usado sobretudo por filiais de bancos da Europa, onde a modalidade existe há mais de um século e ganhou força mais recentemente.

O motivo é o acordo de Basileia 3, que está entrando em vigor gradualmente. No Brasil, terá aplicação integral a partir de 2019. Em linhas gerais, exige que os bancos reservem volumes maiores de capital para operações mais arriscadas. Tendo o seguro de crédito, essas exigências diminuem.

"Por aqui, a demanda dos bancos internacionais pelo seguro de crédito tem crescido desde que o país perdeu no ano passado o grau de investimento (considerado selo de bom pagador), por parte das agências de classificação de risco", disse Marcele Lemos, presidente no país da Coface, seguradora líder nesse segmento.

"Isso faz sentido, porque na prática todos os empréstimos feitos no Brasil ficaram mais arriscados para esses bancos", acrescentou Marcele.

Os bancos também têm buscado mais o instrumento quando ficam mais expostos a um cliente específico, o que também seria proibitivo por regras prudenciais sem o uso do seguro.

Simultaneamente, outras classes de empresas no Brasil têm procurado mais pelo produto por razões distintas. Como aquelas que estão começando a exportar e que não conhecem bem seus novos clientes no exterior, ou varejistas que querem proteger parte dos recebíveis.

Vendas a prazo geralmente representam parcela relevante das receitas, o que pode comprometer seriamente a situação financeira da vendedora se seus clientes deixarem de pagar.   Continuação...