Concessionários esperam alta de 2,3% nas vendas de veículos novos em 2017

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017 17:02 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - Os distribuidores de veículos esperam que 2017 marcará uma interrupção na queda de vendas que vem sendo registrada pelo setor desde 2013 e divulgaram nesta quarta-feira expectativa de crescimento de 2,3 por cento nos licenciamentos de carros, comerciais leves, caminhões e ônibus novos neste ano.

A previsão é baseada na esperada volta ao crescimento da economia e na esperança de que o ciclo de corte na taxa de juros derrubará a Selic para mais perto de 10 por cento até o final do ano ante o nível atual de 13,75 por cento.

As vendas de veículos acumulam queda de cerca de 50 por cento ante o pico de quase 4 milhões de unidades em 2012. Em 2016, foram licenciados no país 2,05 milhões de veículos, uma queda de 20 por cento sobre 2015, informou a Fenabrave.

A própria projeção oficial da entidade já representa uma certa dose de cautela ante expectativa informada no final do ano passado de que as vendas de 2017 cresceriam cerca de 5 por cento.

"Tínhamos indicação do governo que a economia cresceria até 2,5 por cento em 2017. Além disso, a situação política voltou a piorar mais para o final do ano e isso combaliu a economia. O desemprego também não teve melhora e os bancos seguem ainda muito rigorosos na concessão de crédito", afirmou a jornalistas o presidente da Fenabrave, Alarico Assumpção Jr.

Ele citou incertezas políticas como as eleições para as presidências das duas casas do Congresso no início de fevereiro como fatores de risco para a economia e para as vendas de veículos. "Após as eleições no Congresso, o governo vai continuar com apoio para fazer as reformas?", questionou Assumpção Jr.

Segundo o presidente da Fenabrave, as vendas do primeiro trimestre deste ano "devem ser melhores que do primeiro trimestre de 2016", mas por causa da sazonalidade devem ser menores que as dos três últimos meses do ano passado.

Para a sócia-diretora da consultoria MB Associados, Tereza Maria Dias da Silva, que assessora a Fenabrave no cálculo das projeções de vendas, "o único risco para o crescimento das vendas de veículos este ano é a queda do (presidente Michel) Temer".

Com baixa popularidade, Temer tenta aprovar reformas polêmicas no Congresso neste ano, especialmente a da Previdência. Ao mesmo tempo, enfrenta o processo que pede no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a cassação da chapa encabeçada por Dilma Rousseff, na qual ele foi reeleito vice-presidente da República.   Continuação...

 
Carros em exposição em concessionária de São Paulo
04/01/2017 REUTERS/Paulo Whitaker