IPCA sobe menos que o esperado em dezembro, fecha 2016 na meta e abre caminho para corte maior dos juros

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017 11:14 BRST
 

Por Camila Moreira e Pedro Fonseca

SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO (Reuters) - A inflação ao consumidor oficial do Brasil subiu um pouco menos que o esperado em dezembro e terminou 2016 dentro da meta do governo, favorecida pela crise econômica que assola o país, dando ao Banco Central mais espaço para o afrouxamento monetário em meio a expectativas de menor pressão sobre os preços neste ano.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou o ano passado com alta de 6,29 por cento, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira, voltando a ficar dentro da meta do governo --de 4,5 por cento, com tolerância de 2 pontos percentuais-- depois de ter estourado o objetivo em 2015.

Somente em dezembro o indicador avançou 0,30 por cento, nível mais baixo para o mês desde 2008 (0,28 por cento), depois de alta de 0,18 por cento em novembro.

Os resultados ficaram abaixo das expectativas em pesquisa da Reuters de alta de 0,33 por cento sobre novembro, fechando 2016 com avanço de 6,34 por cento.

Para este ano, as projeções de economistas para a inflação se aproximam do centro da meta, também de 4,5 por cento pelo IPCA, mas com tolerância de 1,5 ponto percentual. Porém as expectativas para a recuperação da atividade vêm recuando, o que será decisivo para o comportamento do IPCA num cenário de perda de empregos, dificuldade de crédito e renda em queda.

"Devemos ver este ano os mesmos movimentos, mas numa intensidade menor de alta dos preços. Vamos continuar vendo os efeitos da recessão e aumento de desemprego, que devem pressionar a inflação especialmente de serviços, mas numa intensidade menor do que em 2016", disse o analista de inflação da consultoria Tendências, Marcio Milan.

ALIMENTAÇÃO E BEBIDAS   Continuação...

 
Mulher observa preços em mercado do Rio de Janeiro.  Em dezembro, o grupo Alimentação e bebidas foi o destaque na pressão de alta, segundo o IBGE, passando a subir 0,08 por cento no mês contra queda de 0,20 por cento em novembro.  21/01/2016 REUTERS/Pilar Olivares