BC reduz além do esperado a Selic e vê inflação abaixo da meta em 2017 em meio à recessão

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017 19:41 BRST
 

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central surpreendeu ao reduzir nesta quarta-feira a taxa básica de juros em 0,75 ponto percentual, a 13,00 por cento ao ano, intensificando o ritmo de afrouxamento monetário para além do esperado pelo mercado diante de sinais de retomada econômica mais demorada após dois anos de profunda recessão.

Também passou a ver a inflação abaixo do centro da meta neste ano, em 4,0 por cento no cenário de referência, contra 4,4 por cento antes, sugerindo espaço suficiente para mais cortes robustos na Selic. Para 2018, a estimativa também caiu a 3,4 por cento, contra 3,6 por cento anteriormente. A meta para esses dois anos é de 4,5 por cento pelo IPCA, com margem de 1,5 ponto percentual.

"Diante do ambiente com expectativas de inflação ancoradas, o Comitê entende que o atual cenário, com um processo de desinflação mais disseminado e atividade econômica aquém do esperado, já torna apropriada a antecipação do ciclo de distensão da política monetária, permitindo o estabelecimento do novo ritmo de flexibilização", afirmou o BC em comunicado, após reconhecer que chegou a avaliar a alternativa de reduzir a Selic em 0,5 ponto e sinalizar um corte maior para a próxima reunião.

"A extensão do ciclo e possíveis revisões no ritmo de flexibilização continuarão dependendo das projeções e expectativas de inflação e da evolução dos fatores de risco mencionados", acrescentou.

Em pesquisa Reuters, a grande maioria dos analistas consultados previu redução de 0,50 ponto percentual na Selic. Poucos, incluindo o maior banco privado do Brasil, Itaú Unibanco, estimaram corte mais agressivo, de 0,75 ponto.

"A inflação corrente caiu, e a esperada também. Lá fora o juro subiu e o mundo não acabou, a economia está em recessão e as reformas estão andando. Esse corte de 0,75 veio tarde", avaliou o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco Gonçalves, que segue vendo a Selic em 9,75 por cento ao ano já em outubro.

Em nota, o economista-chefe da Haitong, Jankiel Santos, afirmou que com a decisão desta quarta fica estabelecido um novo ritmo de corte de juros no curto prazo, com o BC repetindo a tesourada de 0,75 ponto percentual pelo menos nos próximos dois encontros do Copom.

"A continuidade deste ritmo ou a redução para um passo mais lento dependerá da evolução do cenário prospectivo, mas as chances de a taxa Selic atingir novamente o nível de um dígito ainda este ano aumentaram bastante", escreveu ele, acrescentando que deverá revisar em breve seu cenário atual, de Selic em 10,50 por cento ao fim de 2017.   Continuação...