12 de Janeiro de 2017 / às 19:11 / em 8 meses

Fibria anuncia alta de US$30 no preço de celulose a partir de fevereiro

SÃO PAULO (Reuters) - A produtora de celulose de eucalipto Fibria anunciou nesta quinta-feira novo aumento no preço do insumo usado na produção de papel, reajustando em 30 dólares os valores da tonelada vendida para América do Norte, Europa e Ásia.

A companhia afirmou que o reajuste é válido a partir de 1º de fevereiro. O novo preço para a América do Norte será de 890 dólares a tonelada, enquanto para a Europa será de 710 dólares e a para a Ásia, de 600 dólares.

O anúncio impactou o movimento nas ações da Fibria, que reduziram perdas na tarde desta quinta-feira. Os papeis fecharam em queda de 1,26 por cento, depois de caírem 3 por cento mais cedo, na mínima da sessão, em dia de queda de ações de empresas exportadoras.

O reajuste é o primeiro da Fibria na casa de 30 dólares a tonelada em pelo menos um ano e segue um aumento anunciado em dezembro passado para entrada em vigor a partir do início deste mês. Na ocasião a empresa não divulgou o valor do reajuste.

No final do ano passado, o diretor comercial da Fibria, Henri Philippe Van Keer, já havia comentado que a companhia esperava promover mais de um reajuste nos preços da celulose neste ano diante da expectativa de encontrar um mercado do insumo mais balanceado em termos de oferta e demanda.

Reajustes nos preços da commodity costumam ser acompanhados por rivais. Procurada, a Eldorado Brasil afirmou apenas que “a empresa vai se alinhar às novas condições de mercado”. A Suzano Papel e Celulose disse que “está analisando as condições de mercado para se posicionar a respeito”.

Na avaliação da equipe de analistas do Itaú BBA liderada por Marcos Assumpção, o anúncio do reajuste da Fibria indica um mercado de celulose melhor que o esperado no curto prazo em termos de oferta e demanda e que os reajustes anteriores “tiveram sucesso na implementação”.

Os analistas do Itaú BBA, porém, citaram em nota a clientes que veem assimetrias nos preços da celulose nos próximos meses conforme entram em operação novas capacidades de companhias rivais como a asiática APP.

Já o analista Leonardo Correa, do BTG Pactual, comentou também em nota a clientes enviada nesta quinta-feira que “tudo indica que vem mais aumento de preços nas próximas semanas” diante de fundamentos sólidos apresentados pelo mercado na Europa e demanda forte vindo da Ásia.

Por Alberto Alerigi Jr., com reportagem adicional de Paula Arend Laier

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