COLUNA-Bancos se preparam para reagir a mudanças no cartão de crédito

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017 19:36 BRST
 

Por Aluísio Alves

(O autor é repórter sênior do Serviço Brasileiro da Reuters. As opiniões expressas são do autor do texto)

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - A limitação do uso do rotativo deve pressionar as margens dos bancos com cartões de crédito, e para compensar eles já esboçam seguintes medidas como aumento de tarifas, redução de limites dos clientes e pressão pelo fim das compras parceladas sem juros, como forma de reequilibrar a relação entre custos e despesas no negócio.

Publicamente, as instituições financeiras afirmam que o teto de 30 dias para o rotativo, linha mais cara do mercado com juros de cerca de 500 por cento ao ano, é positiva para o mercado, por induzir donos de cartões a buscarem linhas mais baratas para rolagem das faturas. O limite entrar em vigor a partir de abril.

Reservadamente, no entanto, os bancos avaliam que uma mudança brusca pode desequilibrar a estrutura de custos e despesas. Hoje, o juro do rotativo é o que praticamente garante a lucratividade dos emissores, arcando com os custos dos emissores, especialmente de reservas de capital.

"É inconsistente mexer em um pilar do mercado sem mexer em todos", disse à Reuters o chefe da área de cartões de um grande banco, sob condição de anonimato. "Tem que encontrar um novo ponto de equilíbrio", disse outro representante do setor bancário, que também pediu para não ser identificado.

Os bancos reclamam que o negócio de cartões tem vários custos invisíveis para o público, que terão que ser custeados de alguma outra forma quando o rotativo perder expressão.   Continuação...