PF investiga fraude na liberação de recursos da Caixa para grandes empresas

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017 14:37 BRST
 

Por Pedro Fonseca

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira uma operação para investigar suspeita de fraude na liberação de recursos da Caixa Econômica Federal para grandes empresas entre 2011 e 2013, tendo entre os alvos o ex-vice-presidente de Pessoa Jurídica do banco e ex-ministro do governo Michel Temer, Geddel Vieira Lima.

Entre as empresas que teriam se beneficiado de créditos liberados pela instituição financeira por meio do esquema fraudulento estão a Marfrig, o Grupo Bertin, a J&F Investimentos, a JBS e a BR Vias, entre outras, de acordo as investigações da Polícia Federal citadas em despacho da Justiça Federal do Distrito Federal.

Além de Geddel, o esquema envolveria outros ex-executivos da Caixa, como o ex-vice-presidente de Fundos de Governo Fábio Cleto e o ex-vice-presidente de Gestão de Ativos Marcos Roberto Vasconcellos, além do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e executivos das empresas, assim como um operador do mercado financeiro.

Geddel, que deixou o governo Temer em novembro de 2015, foi apontado pela PF como responsável por "beneficiar empresas com liberações de créditos dentro de sua área de alçada e fornecia informações privilegiadas para outros membros do grupo criminoso", de acordo com despacho do juiz Vallisney de Souza Oliveira, que autorizou a operação.

Foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão em endereços residenciais e comerciais no Distrito Federal, Bahia, Paraná e São Paulo, disse a PF em nota. A Justiça também autorizou a quebra de sigilos bancários e telefônico dos suspeitos.

De acordo a investigação o esquema envolvia a liberação de recursos da Caixa para as companhias por meio de direcionamento político, com participação de Cunha, em troca de pagamento de propina. Cunha está atualmente preso no âmbito da operação Lava Jato.

A Caixa afirmou, em nota, que está em "contato permanente" com as autoridades, e prestando colaboração com as investigações.

Advogados de Geddel não estavam disponíveis de imediato para comentar.   Continuação...

 
Logo da Caixa Econômica Federal em agência no centro do Rio de Janeiro. 20/08/2014 REUTERS/Pilar Olivares