ENTREVISTA-Fundos de pensão batem meta atuarial em 2016, após 3 anos

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017 14:36 BRST
 

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - A combinação de juros altos e recuperação do mercado acionário fez os fundos fechados de previdência no Brasil terem rentabilidade média de 14,86 por cento em 2016, voltando a bater a meta atuarial após três anos, segundo estimativas iniciais da entidade que representa o setor, Abrapp.

"Finalmente os fundos tiveram algum fôlego no ano passado", disse o presidente da Abrapp, Luís Ricardo Marcondes Martins, em entrevista à Reuters.

A meta atuarial, rentabilidade mínima que os fundos devem obter para conseguir no longo prazo pagar os benefícios de todos os seus cotistas, foi de 13,44 por cento no ano passado. O patrimônio conjunto dos fundos fechados era de cerca de 790 bilhões de reais no fim de 2016.

O setor, que reúne planos de pensão dos empregados de algumas das maiores empresas do país, como Previ (Banco do Brasil), Petros (Petrobras) e Funcef (Caixa Econômica Federal) tem sofrido nos últimos anos as consequências de um combinação de bolsa em queda, fracassos bilionários em grandes projetos de infraestrutura e má gestão.

Como consequência, alguns deles, incluindo Funcef, Petros e Postalis (dos empregados dos Correios) estão tendo que apresentar planos de equacionamento de déficits.

Para Martins, com a Selic em queda, os fundos terão gradualmente que buscar ativos de maior risco. A taxa básica, que referencia boa parte da carteira dos fundos, formada por títulos públicos, ficou em 14,25 por cento ao ano de julho de 2015 até outubro passado. Desde então, o Banco Central fez três cortes, para os atuais 13 por cento ao ano. A expectativa do mercado é que a taxa poderá chegar ao redor de 10 por cento até dezembro.

Ao mesmo tempo, o executivo avalia que o Ibovespa pode não repetir neste ano a alta de 38,9 por cento registrada no ano passado. Ainda assim, disse Martins, a tendência é que os gestores das fundações ampliem a exposição em ações, em crédito privado, como debêntures, papéis que oferecem maior liquidez.

Já os fundos de investimentos em participações (FIP), muito usados para investimentos em projetos de infraestrutura, não serão uma alternativa viável para os fundos de pensão, mesmo com o governo federal sinalizando novas rodadas de concessões de aeroportos, rodovias, blocos de exploração de petróleo, etc.   Continuação...