Companhias brasileiras desafiam efeito Trump e aumentam captações

terça-feira, 17 de janeiro de 2017 12:35 BRST
 

Por Guillermo Parra-Bernal

SÃO PAULO (Reuters) - A mais movimentada onda ofertas de bônus e ações em pelo menos seis anos no Brasil é o mais recente sinal de que investidores estão confiantes na capacidade do país em emergir da recessão e ser pouco atingido pelas turbulências dos mercados globais, afirmam executivos de bancos de investimento.

Na atual janela, que começou na semana passada e pode se prolongar por outras três, companhias brasileiras levantaram 5,2 bilhões de dólares em emissões de bônus, de olho em sanar necessidades de financiamento antes da posse do presidente-eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, na próxima semana.

Condições favoráveis de mercado podem permitir que Vale, Gerdau e Braskem sigam os passos da Petrobras, que na semana passada levantou 4 bilhões de dólares com a venda de bônus, e lancem emissões de dívida nos próximos dias, afirmaram cinco fontes com conhecimento dos planos.

Enquanto isso, pelo menos duas ofertas públicas iniciais de ações (IPOs) avaliadas em cerca de 2 bilhões de reais também devem ser precificadas neste período. Além da oferta de ações da Movida, que deve ser precificada em 6 de fevereiro, a empresa de concessões de infraestrutura CCR está entre as empresas que estão se preparando para fazer ofertas de ações, disseram as fontes.

A vitória de Trump em novembro criou ondas de choque nos mercados emergentes, mas o governo brasileiro tem afirmado que esforços para promoção de reformas e contenção do gasto público ajudaram a minimizar parcialmente as preocupações relacionadas à promessa do presidente-eleito dos EUA de rever a política comercial do país.

O alongamento da atual janela de oportunidade e o levantamento de capital mais barato pelas companhias do Brasil dependem largamente da capacidade do governo federal em promover as reformas e reduzir a percepção de risco do país, disse Leandro Miranda de Araújo, diretor do banco de investimento Bradesco BBI.

"Em vista da grande liquidez internacional que está voltando a buscar boas oportunidades em Brasil, neste momento, na nossa percepção, o poder de barganha está mais concentrado nas mãos do emissor do que no investidor", afirmou Araújo.

Diferente do ano passado, quando a vitória de Trump pegou os mercados de surpresa, as companhias brasileiras estão seguindo conselhos de executivos de bancos de investimento e correndo para buscar capital novo o mais rápido possível. Conforme a agenda do presidente Michel Temer avança lentamente, as companhias estão conseguindo termos mais favoráveis para levantamento de recursos agora.   Continuação...