Estagnação nos preços de frete desagrada caminhoneiros e favorece agricultores na safra 2016/17

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017 15:17 BRST
 

Por Gustavo Bonato

RONDONÓPOLIS (Reuters) - Caminhoneiros independentes aglomeram-se frente aos escritórios de agenciamento de frete, nos fundos de um posto de combustíveis em Rondonópolis e, com semblantes preocupados, preparam-se para mais uma temporada de margens apertadas no transporte da nova safra de soja do país.

O excesso de oferta de caminhões deverá manter os valores do transporte de grãos relativamente estável nos próximos meses, na comparação com a temporada passada, apesar de uma alta do óleo diesel desde o ano passado, representando maior aperto financeiro para quem trabalha com transporte de cargas, mas uma boa notícia para os agricultores.

"Os valores que estão oferecendo mal pagam os custos... O atual nível de preços é o mesmo de 10 anos atrás, mas naquela época não havia tantos pedágios. Isso desestimula o motorista", disse o caminhoneiro Mauri Jorge Dalbello, com 36 anos de estrada e dono do próprio caminhão, enquanto olhava os valores afixados nas portas das agências.

O frete entre Rondonópolis, importante polo logístico do setor agrícola de Mato Grosso, até o porto de Paranaguá está estimado em cerca de 230 reais por tonelada para fevereiro. Em fevereiro de 2016, o valor recebido pelos caminhoneiros girava em torno de 240 reais, segundo agenciadores consultados pela reportagem.

Por outro lado, o diesel, que compõe cerca de metade dos custos de cada viagem, acumula alta de 3,1 por cento em Mato Grosso nos últimos 12 meses, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Neste período, pedágios sofreram reajustes nos diversos Estados cruzados pelos veículos de carga e demais insumos, como pneus e manutenção subiram de acordo com a inflação do país.

"A situação não poderia estar pior... A safra já iniciou e os (preços de) fretes estão desanimadores", disse o diretor-executivo da Associação dos Transportadores de Carga de Mato Grosso, Miguel Mendes, que representa empresas que operam frotas de caminhões.

Com a ajuda de um clima favorável, Mato Grosso saiu na frente na colheita da safra 2016/17, que deverá ser recorde no Estado e no país, totalizando 29 milhões e 103,8 milhões de toneladas, respectivamente, segundo a Conab.

Apesar destes volumes elevados, segundo Mendes, o frete segue pressionado. A origem da questão está em programas de incentivo à compra de caminhões com financiamento subsidiado, criados pelo governo federal no início da década. A situação se agravou ainda mais nos últimos dois anos com a recessão econômica do país, que diminuiu o volume de cargas transportadas pela indústria e pelo comércio.   Continuação...