HSBC e UBS vão transferir 2.000 empregados para fora de Londres devido ao Brexit

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017 19:18 BRST
 

Por Pamela Barbaglia

DAVOS (Reuters) - Dois dos maiores bancos da Europa alertaram nesta quarta-feira que cada um pode transferir 1.000 funcionários para fora de Londres, no sinal mais claro até agora de como empresas financeiras estão se preparando para os inconvenientes causados ​​pela saída do Reino Unido da União Europeia.

O presidente do UBS, Axel Weber, disse que cerca de 1.000 dos 5 mil funcionários do banco suíço hoje em Londres podem ser afetados pelo Brexit, enquanto o presidente-executivo do HSBC, Stuart Gulliver, disse que o banco vai mudar a equipe responsável pela geração de cerca de um quinto das suas receitas comerciais no Reino Unido para Paris.

As principais empresas financeiras advertiram por meses antes do referendo da Grã-Bretanha que a eventual saída da União Europeia tiraria empregos do país, mas até agora vinham dando poucos detalhes sobre quantos seriam ou para onde iriam.

"Vamos mudar em cerca de dois anos após o Brexit tornar-se efetivo", disse Gulliver à Reuters no Fórum Econômico Mundial.

E em mais um golpe potencialmente para o status de Londres como centro financeiro da Europa, Weber disse à BBC que mil funcionários que trabalham em empresas atingidas pela perda do passaporte da Grã-Bretanha para vender serviços financeiros na Europa seriam afetados.

Outros bancos devem anunciar planos mais concretos pós-Brexit nos próximos meses após a primeira-ministra, Theresa May, confirmar na terça-feira que a Grã-Bretanha deixaria o mercado único europeu.

A transferência de empregados é um duro golpe para a City, que tem feito lobby desde a votação do Brexit para que empresas financeiras na Grã-Bretanha mantenham os chamados "direitos de passaporte" da UE, que lhes permitam vender serviços por todo o bloco.

Mas é improvável que o direito continue com o Reino Unido saindo da UE e companhias têm afirmado que estão atualmente mais propensas a transferir pessoal do país.

(Reportagem adicional de Anjuli Davies)