19 de Janeiro de 2017 / às 12:54 / em 9 meses

Sócios querem que Vale tenha capital disperso em 6 anos, dizem fontes

SÃO PAULO (Reuters) - Os principais sócios da Vale estão perto de aprovar um plano para transformar a mineradora numa empresa de capital disperso em seis anos, quando o acordo de acionistas deixar de existir, disseram duas fontes familiarizadas com o plano.

A mineradora confirmou nesta quinta-feira que seus acionistas estão “em tratativas” para elaborar um novo acordo de acionistas, que poderia envolver uma “possível proposta de reestruturação societária e de aperfeiçoamento da estrutura de governança” da companhia.   

Segundo as fontes, que pediram anonimato, as negociações em andamento para renovar o acordo entre Bradespar, Mitsui e fundos de pensão do país podem ser concluídas até o fim de fevereiro ou início de março.    

O atual acordo de acionistas de 20 anos termina em abril. Bradespar e a Previ propuseram que todo o capital da Vale seja composto por ações ordinárias, um primeiro passo para a mineradora se transformar numa empresa com capital disperso, disse a primeira fonte.

No comunicado divulgado nesta quinta-feira, a Vale disse que “não há qualquer discussão ou deliberação...sobre eventual unificação das ações de sua emissão” no âmbito companhia, mas ressaltou que o novo acordo de acionistas é alvo de tratativas entre os sócios da empresa.     

Se o acordo for renovado, o plano seria apresentado ao conselho por volta de março e aos acionistas logo depois, disseram as fontes. O plano previne Bradespar e Mitsui de pagar um prêmio maior à Previ, maior acionista da Vale, para manter a partilha de poderes de decisão, disseram as fontes.    

Até agora, não há discussões entre os maiores sócios para substituir o presidente-executivo Murilo Ferreira, cujo mandato expira no meio do segundo trimestre, disseram as fontes. Uma das pessoas disse que Ferreira poderia ficar mais um ano pelo menos.

A Bradespar, braço do Bradesco, também confirmou em comunicado que há tratativas sobre um novo acordo de acionistas para a Vale.

A assessoria de imprensa da Previ não comentou de imediato. Esforços para falar a assessoria de imprensa da Mitsui fora do horário comercial no Japão não tiveram sucesso.     

A melhora da estrutura de governança decorrente de um novo acordo de acionistas poderia alavancar as ações da Vale, tirando a diferença em relação às empresas globais de mineração, disse o analista BTG Pactual Leonardo Correa. A medida pode liberar até 18 bilhões de dólares em valor para os acionistas, disse ele.    

As ações preferenciais da Vale subiram 3,3 por cento na quarta-feira, enquanto as ações ordinárias ganharam 5 por cento. O prêmio das ações ordinárias sobre as preferenciais caiu para o piso em meses após o jornal Valor Econômico publicar reportagem sobre o acordo na quarta-feira.    

Outros membros do bloco que controla a companhia via holding Valepar incluem os fundos Fundação Petros, Funcef e Funcesp, além do BNDES.    

A estratégia seria replicar o movimento para tirar a Embraer das mãos do governo em 2006, disseram as fontes. No caso da Embraer, a conversão de ações foi feita junto com o fim do acordo de acionistas da companhia, mas o governo manteve a “golden share”, que veta qualquer tentativa de aquisição hostil.    O governo brasileiro tem uma golden share na Vale.

Com reportagem adicional de Luciano Costa

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