ENTREVISTA-Incertezas políticas podem minar recuperação econômica, diz Eduardo Giannetti

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017 18:43 BRST
 

Por Luiz Guilherme Gerbelli e Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O presidente Michel Temer deve conseguir recolocar o Brasil na rota do crescimento, mas precisa correr contra o tempo para evitar que as incertezas políticas envolvendo a cúpula do governo minem a recuperação esperada, disse o economista Eduardo Giannetti.

Ao longo dos últimos meses, Giannetti avalia que a equipe econômica conseguiu avançar na agenda fiscal, com a aprovação da medida que limita o crescimento dos gastos públicos à inflação e ao colocar a reforma da Previdência na pauta de discussão do Congresso Nacional.

"O Brasil está posicionado para uma recuperação ao longo de 2017. Não acho irrealista imaginar a economia crescendo acima de 2 por cento no quarto trimestre deste ano em comparação com o quarto trimestre de 2016", afirmou Giannetti em entrevista para a Reuters.

Atualmente, a principal dúvida, avaliou ele, é o possível envolvimento da cúpula política do governo Temer em novas denúncias de delações da Operação Lava Jato e em outros escândalos de corrupção, o que pode trazer de volta o cenário de incerteza com a governabilidade no Brasil.

"Esse risco poderá vir de delações premiadas das empreiteiras ou do (deputado cassado e ex-presidente da Câmara) Eduardo Cunha, que deve ter muita coisa para relevar, com a trajetória que ele teve dentro do PMDB", disse Giannetti, também filósofo e autor de uma série de livros. "As tempestades no céu da política podem pôr a perder esse cenário de recuperação que está delineado."

Nesta semana, o presidente Temer, em entrevista exclusiva à Reuters, afirmou que não havia "a menor possibilidade" de as investigações desestabilizarem seu governo. Desde que assumiu o comando do país, em maio, alguns ministros já caíram por causa de denúncias.

PARCIAL, MAS VALENDO   Continuação...

 
Giannetti concede entrevista à Reuters em São Paulo. 18/1/2017.  REUTERS/Nacho Doce