Yellen, do Fed, diz que é imprudente permitir que economia dos EUA "superaqueça"

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017 08:17 BRST
 

Por Ann Saphir

PALO ALTO, EUA (Reuters) - Com a política monetária ainda modestamente expansionista, o banco central dos Estados Unidos deveria continuar a elevar a taxa de juros lentamente para manter os empregos abundantes e a inflação baixa, afirmou na quinta-feira a chair do Federal Reserve, Janet Yellen.

"Acho que permitir que a economia ande de forma acentuada e persistentemente 'aquecida' será arriscado e imprudente", disse Yellen, em declarações preparadas para um evento.

Embora ainda não haja sinais de que o Fed está atrás da curva ou que a economia esteja em perigo de uma repentina alta da inflação ela disse: "considero prudente ajustar a postura de política monetária gradualmente ao longo do tempo".

A pressão que o balanço de 4,5 trilhões de dólares do Fed tem exercido sobre os juros nos últimos anos está diminuindo, disse ela, tornando ainda mais importante elevar os juros apenas gradualmente.

O Fed no mês passado elevou sua meta para a taxa de juros de curto prazo pela segunda vez em uma década, mas sinalizou que provavelmente acelerará o ritmo de altas dos juros neste ano. Atualmente, eles estão entre 0,5 por cento e 0,75 por cento.

Com o desemprego de 4,7 por cento, perto do que muitos economistas, incluindo Yellen, consideram como um nível sustentável a longo prazo, e com a inflação se aproximando da meta de 2 por cento do Fed, a maioria das autoridades do banco central espera elevar os juros três vezes ao longo dos próximos 12 meses.

Pela segunda vez em dois dias, Yellen alertou que adiar o aperto da política monetária pode elevar a inflação e forçar o Fed a aumentar os juros em resposta, levando a economia a entrar em parafuso, o que teria sido evitado se as altas dos juros fossem mais graduais.

Mas segundo ela, "não será fácil" encontrar uma trajetória de altas de juros que possa alimentar o crescimento forte dos empregos e inflação de 2 por cento, dadas as incertezas do crescimento global, lenta expansão da produtividade doméstica e mudança nas políticas fiscais, entre outras coisas.