ENTREVISTA-Estácio vê com otimismo captações de alunos após lançar produto próprio de financiamento

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017 10:05 BRST
 

Por Gabriela Mello e Ana Mano

SÃO PAULO (Reuters) - A Estácio Participações, segunda maior empresa de ensino superior privado do país, está otimista quanto à captação de estudantes para o primeiro semestre de 2017 e espera atrair tantos alunos quanto no ano passado, apesar de cortes em despesas com publicidade e custo docente, afirmou à Reuters o presidente-executivo da empresa, Pedro Thompson.

Entre os fatores que contribuem com os esforços para captar novos estudantes, o executivo citou a criação de um novo programa de financiamento privado, no qual os alunos ingressantes pagam pelo menos 30 por cento das mensalidades durante o curso e o saldo devedor é quitado quatro anos após a graduação.

O esquema de parcelamento da Estácio foi lançado neste ano como parte dos esforços para garantir tíquete médio mais elevado, estabilidade da geração de caixa, melhorar o perfil da base de alunos e conter os níveis de evasão. Antes de introduzir o programa, a empresa oferecia descontos de até 50 por cento para impulsionar as matrículas, observou Thompson, que ingressou na Estácio em maio e foi eleito presidente-executivo no fim de setembro do ano passado.

"Estamos usando nosso próprio balanço para financiar os alunos. Nenhuma das outras opções de financiamento privado disponíveis atendiam aos nossos estudantes", afirmou o executivo em entrevista para a Reuters. Segundo ele, é preferível prorrogar o prazo para pagamento do curso em vez de conceder descontos agressivos logo no início.

Inicialmente, apenas os novos alunos serão contemplados com a modalidade de parcelamento, mas o benefício poderá ser estendido para estudantes que já estão cursando a graduação.

O atual ciclo de captações termina em março e a expectativa é de que 10 por cento dos novos alunos recorram ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), disse Thompson, ante cerca de 20 por cento em 2015.

A estratégia da Estácio ilustra os esforços de empresas de educação superior para encorajar as matrículas e, ao mesmo tempo, garantir uma base de alunos sustentável em meio a incertezas sobre o futuro do Fies. Três ou quatro anos atrás, lembrou o executivo, cerca de 60 por cento dos estudantes dependiam do programa governamental.

"Não creio que o governo não cumprirá o proposto para 2017, o Fies não me preocupa", afirmou Thompson ao ser questionado sobre as potenciais mudanças na estrutura do programa. "Meu foco é o aluno e meu objetivo é retenção. Não vou deixar aluno evadir", completou.   Continuação...