Eike é alvo da Lava Jato em investigação de esquema liderado por Sérgio Cabral

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017 11:12 BRST
 

Por Pedro Fonseca

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira nova operação no âmbito da Lava Jato tendo como alvo o empresário Eike Batista, suspeito de envolvimento em um esquema de corrupção liderado pelo ex-governador Sérgio Cabral que teria ocultado cerca de 100 milhões de dólares no exterior, mas o ex-bilionário não foi encontrado em uma batida policial em sua casa no Rio de Janeiro.

A Justiça Federal expediu nove mandados de prisão preventiva --um deles para Eike-- e quatro de condução coercitiva, além de diversas ordens de busca e apreensão em diferentes endereços no Rio como parte da Operação Eficiência.

"A PF investiga crimes de lavagem de dinheiro consistente na ocultação no exterior de aproximadamente 100 milhões de dólares. Boa parte dos valores já foi repatriada", informou a PF em nota. De acordo com o Ministério Público Federal, foram repatriados cerca de 270 milhões de reais desviados pelo esquema.

"Também são investigados os crimes de corrupção ativa e corrupção passiva, além de organização criminosa. Grandes empresários estão entre os investigados que tiveram a prisão preventiva decretada", acrescentou.

Um advogado de Eike disse à TV Globo que o empresário está viajando para o exterior e vai se entregar às autoridades, de acordo com a emissora.

Também foi expedido mandado de prisão para o ex-governador Sérgio Cabral, que já está preso no âmbito da Lava Jato, e pessoas próximas a ele, incluindo um irmão e a ex-mulher.

Apontado como cabeça do esquema criminoso, Cabral se tornou réu na Lava Jato em dezembro, acusado de envolvimento em um esquema de propina que teria desviado milhões de reais de obras realizadas no Estado na época em que era governador, de 2007 a 2014.

Segundo o Ministério Público Federal, Cabral acumulou mais de 100 milhões de dólares em propinas em diversas contas em paraísos fiscais no exterior durante sua passagem pelo governo fluminense.   Continuação...

 
Eike Batista durante julgamento no Rio de Janeiro.    18/11/2014      REUTERS/Ricardo Moraes