Proliferação de surtos de gripe aviária eleva risco de contágio em seres humanos

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017 13:58 BRST
 

LONDRES (Reuters) - A disseminação mundial da gripe aviária e o número de estirpes virais atualmente circulando e causando infecções atingiram níveis sem precedentes, aumentando o risco de um possível surto humano, de acordo com especialistas.

Diversos surtos foram registrados em criações de aves e animais selvagens ao redor de Europa, África e Ásia nos últimos três meses. Enquanto a maioria envolve cepas que atualmente representam pouco risco para a saúde humana, o número de diferentes variedades e sua presença em diversas partes do mundo ao mesmo tempo elevam o perigo de fusão e mutação do vírus, bem como sua transmissão para pessoas.

"Essa é uma mudança fundamental na história natural dos vírus influenza", disse o especialista em doenças infecciosas da Universidade do Minnesota, Michael Osterholm, ao avaliar a proliferação da gripe aviária em termos geográficos e de variedades. Ele descreveu a situação como "sem precedentes".

Autoridades globais de saúde estão preocupadas com a possibilidade de uma nova variedade que possa atacar humanos, como a H5N1, no final dos anos 1990. O vírus causou desde então centenas de infecções e mortes em seres humanos, mas não adquiriu a característica de ser transmitido facilmente entre pessoas.

O maior temor é de que uma variedade mortal da gripe aviária possa passar por uma mutação que a torne facilmente transmissível entre seres humanos, o que não foi visto até agora.

Embora a gripe aviária tenha sido vista como um problema de saúde pública desde os anos 1990, os surtos nunca haviam sido tão espalhados pelo mundo, o que alguns especialistas atribuem a variedades mais resistentes atualmente em circulação.

Enquanto normalmente são registradas duas ou três variedades de gripe aviária a cada surto, agora há ao menos meia dúzia delas, incluindo H5N1, H5N2, H5N8 e H7N8.

O virologista da Universidade de Queensland, na Austrália, Ian MacKay, disse que a atual proliferação de cepas do vírus significa "por definição, que há mais risco" para humanos.

"Você vai ter mais exposições, mais produtores, mais frequentes, e em maior número, em mais partes do mundo-- então tem que haver um risco maior de um surto de casos humanos", disse ele à Reuters.   Continuação...