30 de Janeiro de 2017 / às 15:01 / em 8 meses

Políticas de imigração de Trump geram fracos protestos corporativos além do Vale do Silício

NOVA YORK/BOSTON (Reuters) - A maior parte dos líderes corporativos dos Estados Unidos manteve silêncio em relação às restrições impostas pelo presidente Donald Trump à imigração, destacando a sensibilidade em se opor a políticas que podem provocar reações contrárias da Casa Branca.

Enquanto os líderes da Apple, Google e Facebook enviaram e-mails aos seus funcionários para denunciar a suspensão do programa norte-americano de refugiados e o veto à chegada de pessoas de sete países de maioria muçulmanas, muitos de seus pares de outras indústrias se negaram a comentar ou emitir comunicados reiterando o compromisso empresarial com a diversidade.

A diferença nas respostas mostra a pressão que grandes faixas do mundo corporativo dos EUA enfrentam para evitar rixas públicas com o novo governo.

Empresas como as fabricantes de aviões Boeing e de carros Ford Motor e General Motors já entraram em conflito com Trump sobre outras questões, e têm muitas coisas em jogo nas futuras decisões que o governo vai tomar em relação a impostos, comércio e regulamentação.

Antes de assumir, Trump atacou a Boeing pelo custo do futuro programa do avião presidencial Air Force One. O presidente-executivo da Boeing, Dennis Muilenburg, se encontrou mais cedo neste mês com Trump e disse que fizeram progressos na questões sobre o Air Force One e uma possível venda de aeronaves.

Representantes da Boeing, General Motors e Ford se negaram a comentar sobre as políticas de imigração de Trump.

Wall Street, enquanto isso, espera que o novo governo alivie algumas regulações introduzidas após a crise financeira de 2007/2008 e adote um tom regulatório mais suave.

Os setores bancários, de saúde e automobilístico “se veem à beira de uma nova era de desregulamentação, e não querem fazer nada que possa ofender o novo imperador”, disse o diretor do Centro da Universidade de Boston para Finanças, Direito e Política, Cornelius Hurley.

Até agora, o presidente-executivo do Goldman Sachs, Lloyd Blankfein, foi o único chefe de um banco norte-americano importante a se pronunciar diretamente contra a decisão de Trump. “Esta não é uma política que apoiamos”, disse Blankfein em uma mensagem enviada aos funcionários do banco no domingo à noite. “Ser diverso não é opcional, é o que devemos ser.”

Alguns outros líderes empresariais também se manifestaram. O CEO da Nike Inc , Mark Parker, disse que a empresa não apoia a ordem executiva de Trump.

“A Nike acredita em um mundo onde todos celebram o poder da diversidade”, disse ele em um comunicado. “Esses valores estão sendo ameaçados pela recente ordem executiva nos EUA proibindo refugiados, bem como visitantes, de sete países de maioria muçulmana.”

Brent Saunders, CEO da fabricante norte-americana de medicamentos Allergan Plc, tuitou: “Oponha-se a qualquer política que ponha limitações em nossa capacidade de atrair os melhores e mais diversos talentos.”

Mas muitas salas de reuniões ficaram quietas. Representantes de algumas empresas de energia, incluindo Exxon Mobil Corp, por exemplo, se recusaram a comentar.

Como a ideia de responsabilidade social corporativa enraizada, as empresas têm cada vez mais defendido uma série de causas, incluindo os direitos dos homossexuais, diversidade no ambiente de trabalho e uma visão global.

Muitos no mundo corporativo norte-americano ainda estão tentando descobrir como lidar com um novo governo que adota uma postura mais conservadora em algumas questões sociais e tem uma plataforma contra a globalização.

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