ENFOQUE-Pedidos de recuperação judicial de grandes empresas no Brasil devem subir em 2017

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017 17:05 BRST
 

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - A estabilização da economia brasileira não virá a tempo de livrar grandes empresas do país de pedir recuperação judicial ainda na primeira metade de 2017, disseram à Reuters executivos de bancos e de escritórios de advocacia.

Os novos pedidos, que devem envolver inclusive companhias listadas na Bovespa, refletirão em parte a negativa de grandes bancos de continuar rolando dívidas, uma vez que a capacidade de pagamento das devedoras não melhorou, disseram as fontes.

No topo da lista das que podem anunciar já nas próximas semanas que recorreram à recuperação judicial estão construtoras e incorporadoras, empresas da cadeia de óleo e gás e unidades de conglomerados investigados pela operação Lava Jato.

No primeiro grupo, a candidata a abrir a lista é a PDG Realty, que neste mês suspendeu o resgate antecipado de Certificados de Recebíveis Imobiliários previsto para semana passada por falta de recursos. A empresa já havia anunciado no início do mês que estava inadimplente com o pagamento de juros da 3ª emissão de CRI. A empresa tem negado já ter tomado uma decisão a respeito.

Mas esse não deve ser o único caso no setor, segundo o sócio de um grande escritório de advocacia que representa credores, dado que algumas construtoras simplesmente não conseguiram vender ativos para fazer caixa e honrar acordos de rolagem de dívida com bancos.

"Só o setor imobiliário deve ter pelo menos dois grandes nomes em recuperação judicial ainda no primeiro semestre", disse o profissional à Reuters, sob condição de anonimato e evitando citar nomes.

Na semana passada, o próprio presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), Gilberto de Abreu Filho, admitiu que esse deve ser o caso de algumas companhias.

"Esperava-se que as construtoras conseguissem resolver dívida bancária gerando caixa, o que, em alguns casos, não aconteceu", disse Abreu Filho. "No primeiro semestre, algumas poderão ir para recuperação (judicial)", adicionou.   Continuação...