Japão mira empregos e investimentos nos EUA antes de encontro entre Abe e Trump

terça-feira, 31 de janeiro de 2017 10:12 BRST
 

Por Takashi Umekawa e Linda Sieg

TÓQUIO (Reuters) - O Japão está definindo planos para mostrar ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que empresas japonesas estão dispostas a criar empregos nos EUA, de acordo com um documento ao qual a Reuters teve acesso, no momento em que primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, se prepara para uma reunião com Trump que terá como destaque o comércio no setor automotivo.

Abe irá visitar Washington em 10 de fevereiro para as conversações, nas quais se acredita que Trump irá buscar um avanço rápido com vistas a um acordo comercial bilateral.

Um esboço inicial do documento, intitulado "Iniciativa de Crescimento e Emprego EUA-Japão", lista cinco áreas, incluindo infraestrutura. O documento, que foi lido à Reuters, não menciona o comércio automotivo, que Trump classificou como "injusto", um eco de queixas de Washington que duram décadas.

O texto tinha lacunas a respeito do número de vagas a serem criadas e da abrangência do investimento, mas uma fonte do governo japonês disse que vários milhares de postos de trabalho podem resultar da medida.

O documento também se refere à ideia de comprar "títulos de infraestrutura" atrelados ao dólar, uma proposta que vem sendo ventilada como maneira de o Japão participar da atualização de infraestrutura norte-americana prometida por Trump.

Autoridades japonesas disseram que ainda estão tentando avaliar o que exatamente Trump quer de seu país. Além de destacar os carros, ele ainda colocou o Japão ao lado da China e do México como grandes colaboradores para o déficit comercial dos EUA.

Mas a parcela japonesa da disparidade comercial norte-americana com o mundo encolheu para 9 por cento -- era mais da metade no início dos anos 1990.

Automóveis e peças automotivas representam cerca de três quartos do déficit comercial dos EUA com Tóquio, o que os torna um alvo fácil.   Continuação...

 
Primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe.    21/12/2016   REUTERS/Toshfumi Kitamura/Pool