Setor público consolidado tem déficit primário recorde de R$155,8 bi 2016, mas cumpre meta

terça-feira, 31 de janeiro de 2017 13:03 BRST
 

BRASÍLIA (Reuters) - O setor público consolidado brasileiro fechou 2016 com déficit primário de 155,791 bilhões de reais, ou 2,47 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), no pior resultado da série histórica iniciada em 2001, informou o Banco Central nesta terça-feira.

O resultado, contudo, ficou dentro da meta estabelecida pelo governo do presidente Michel Temer de um déficit de 163,9 bilhões de reais no ano.

Apenas em dezembro o déficit primário foi de 70,7 bilhões de reais, abaixo de um saldo negativo em 78,0 bilhões de reais estimado por analistas.

Foi o terceiro ano consecutivo de déficit primário do setor público, dando sequência aos saldos negativos de 32,5 bilhões de reais (-0,56 por cento do PIB) em 2014, e de -111,2 bilhões de reais (-1,85 por cento) em 2015.

"O resultado fiscal observado foi o maior para anos calendário na série do Banco Central, isso mostra o quão desafiadora é a situação fiscal", disse o chefe-adjunto do Departamento Econômico do BC, Fernando Rocha.

Na análise detalhada do resultado de 2016, o governo central teve déficit primário de 159,5 bilhões de reais, puxado pelo rombo de quase 150 bilhões de reais da Previdência. Já os Estados e municípios contribuíram com um superávit primário de 4,666 bilhões de reais, e as empresas estatais tiveram déficit de 983 milhões de reais.

O resultado nominal, que engloba os gastos com os juros da dívida, caiu para 562,815 bilhões de reais em 2016, passando a 8,93 por cento do PIB, ante 10,22 por cento do PIB observado em 2015. A queda foi favorecida pela redução do total pago em juros nominais, para 407 bilhões de reais no ano, ante 501 bilhões de reais em 2015.

NOVO ROMBO   Continuação...

 
Sede do Banco Central em Brasília 23/09/ 2015.. REUTERS/Ueslei Marcelino