Fibria vê preços de celulose melhores no 1º semestre, mas ajustes para baixo no 2º

terça-feira, 31 de janeiro de 2017 13:03 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - A produtora de celulose Fibria está vendo um cenário de alta demanda pelo insumo neste início de ano por parte de clientes na Ásia, o que dá confiança de que conseguirá implementar totalmente o reajuste de preços de 30 dólares por tonelada anunciado para o início de fevereiro, disseram executivos da companhia, nesta terça-feira.

Já para o segundo semestre do ano, o presidente da companhia, Marcelo Castelli, afirmou em teleconferência com jornalistas que espera estabilidade nas cotações da commodity, mas com uma "tendência de ajustes para baixo", diante da entrada de novas capacidades produtivas de rivais e da própria Fibria no mercado global.

Segundo ele, algumas máquinas de produção de papel na China pararam no início deste ano diante de falta de matéria-prima.

"Há falta de celulose no sistema. Uma parte disso (de demanda aquecida) é para recompor estoques, mas em patamares mínimos para operar", disse Castelli. "Nossa equipe na Ásia afirmou que algumas máquinas de papel da China pararam por falta de celulose", acrescentou.

E diante da demanda asiática, a Fibria está realocando estoques de outras regiões para atender a clientes chineses, o que acaba impulsionando os preços na Europa, disse o diretor comercial da Fibria, Henri Philippe Van Keer. Segundo ele, a Fibria tem confiança em implementar rapidamente o aumento de 30 dólares previsto para entrar em vigor em 1º de fevereiro.

"A demanda na Ásia está sendo tão forte que estamos zerando nossos estoques no mundo inteiro para abastecer a Ásia. Isso está forçando aumento de preços também nos outros mercados", disse Keer.

No entanto, as ações da Fibria lideravam as quedas do Ibovespa às 12:55, recuando 5 por cento, enquanto o índice mostrava avanço de 0,6 por cento. A rival Suzano Papel e Celulose aparecia na sequência, com baixa de cerca de 3,4 por cento.

A empresa divulgou proposta de pagamento de dividendos de 393 milhões de reais, o mínimo obrigatório pela legislação que exige pagamento de 25 por cento do lucro anual, apesar do caixa de 4,7 bilhões de reais atingido ao final de 2016, quase três vezes acima do registrado ao final de 2015.

O vice-presidente financeiro da companhia, Guilherme Cavalcanti, disse que a montanha de recursos "é um seguro para passarmos por este período turbulento" e que o acúmulo de caixa "não está custando muito" diante de captações anteriores realizadas pela empresa com Certificados de Recebíveis de Agronegócio (CRA) a custos de 97,5 por cento do CDI.   Continuação...