2 de Fevereiro de 2017 / às 10:54 / em 8 meses

Lucro do Bradesco recua a R$3,59 bi no 4º tri

SÃO PAULO (Reuters) - O Bradesco teve queda no lucro no quarto trimestre, afetado por menores receitas com juros e por um ajuste contábil, parcialmente compensado por pagamento menor de impostos.

O segundo maior banco privado do país informou nesta quinta-feira que seu lucro líquido do período somou 3,592 bilhões de reais, queda de 17,5 por cento ante mesma etapa de 2015, mas aumento de 11 por cento sobre o trimestre anterior. Na métrica ajustada, o lucro somou 4,385 bilhões de reais, recuo de 3,9 por cento sobre um ano antes e de 1,7 por cento na base sequencial.

As comparações anuais podem não permitir uma avaliação precisa do desempenho do grupo, dada a incorporação do HSBC pelo Bradesco no começo do segundo semestre de 2016.

A carteira de crédito do Bradesco, por exemplo, fechou o ano em 514,99 bilhões de reais, alta de 8,6 por cento em 12 meses. Mas na medição sequencial, já usando uma base comparável, a carteira recuou 1,3 por cento, em linha com o mercado. O movimento foi puxado sobretudo pelo segmento pequenas e médias empresas, que teve retração de 7,3 por cento no período.

O índice de inadimplência acima de 90 dias do Bradesco foi de 5,5 por cento no período, ante 5,4 por cento no trimestre anterior e 4,1 por cento no fim de 2015. Foi a sétima alta sequencial seguida, segundo o banco refletindo a retração da carteira de crédito e a piora da recessão no país.

A provisão para perdas esperadas com calotes deu um salto de 31,8 por cento na medição com o último quarto de 2015, a 5,525 bilhões de reais, valor que no entanto representou recuo de 3,8 por cento em relação ao trimestre imediatamente anterior.

Segundo o Bradesco, a melhora sequencial refletiu valores maiores de recuperação de crédito.

A margem financeira caiu 7,5 por cento do terceiro para o quarto trimestre, a 15,7 bilhões de reais. Segundo banco, a queda foi impactada pelo efeito das perdas por ajuste do valor contábil de ativos financeiros, de 1,264 bilhão de reais.

Em contrapartida, o banco pagou 1,16 bilhão de reais em impostos de outubro a dezembro, queda de 47 por cento ano a ano.

O Bradesco também teve um aumento anual de 14,4 por cento das receitas com serviços e tarifas, a 7,55 bilhões de reais, número praticamente estável sobre o trimestre anterior.

O lucro do braço de seguros no período somou 1,5 bilhão de reais, estável na base sequencial e aumento de 7,1 por cento sobre um ano antes. As provisões técnicas deram um salto de 25,6 por cento na comparação anual, a 223,3 milhões.

As despesas administrativas do Bradesco com pessoal de outubro a dezembro cresceram 2,1 por cento na medição sequencial e 24,6 por cento na anual, para 10,48 bilhões de reais, também refletindo aquisição das operações do HSBC.

PREVISÕES

Após ter tido despesas de provisões para calotes de 21,7 bilhões de reais no ano passado, o Bradesco previu que em 2017 o montante para este fim será de 21 bilhões a 24 bilhões.

O banco também previu que o ano será fraco para crédito, período para o qual previu expansão de 1 a 5 por cento. Além disso, diante do ciclo de queda da Selic, a estimativa para margem financeira com juros pró-forma foi fixada no intervalo de queda de 4 por cento a 0 por cento.

Por outro lado, a instituição previu para suas despesas operacionais em 2017 um intervalo que vai de queda de 1 por cento até alta de 3 por cento, também na base pró-forma.

Por Aluísio Alves

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