Governo deve anunciar na 2a-feira mudanças no MCMV e uso de FGTS para imóvel de até R$1,5 mi

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017 19:26 BRST
 

Por Gabriela Mello e Ana Mano

SÃO PAULO (Reuters) - O governo federal deve anunciar na próxima semana mudanças no programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), além de destinar uma cota do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para a compra de imóveis com valor limite de até 1,5 milhão de reais, atendendo parcialmente às demandas da indústria de construção, que atravessa a crise econômica do país.

Em reunião do conselho curador do FGTS, marcada para a manhã de segunda-feira, espera-se a definição de uma cota de até 500 milhões de reais do fundo para aquisição de imóveis acima do teto atual, disse José Carlos Martins, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic).

No fim de novembro, o Conselho Monetário Nacional (CMN) elevou pela primeira vez em três anos o valor limite de imóveis que podem ser financiados com recursos do FGTS, de 750 mil para 950 mil reais em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Distrito Federal, e de 650 mil para 800 mil reais para os demais Estados.

“Isto é uma revolução do sistema de habitação”, afirmou o presidente da Cbic, explicando que as medidas devem ajudar as construtoras a baixar os estoques de imóveis novos para pronta entrega.

De acordo com ele, o novo teto será provisório e deve ficar entre 1,2 milhão e 1,5 milhão de reais. "Não é o objetivo do FGTS financiar imóvel de mais de 1 milhão de reais, por isso essa cota de 500 milhões de reais do fundo. É transitório", explicou o presidente da Cbic.

Em relação ao MCMV, a expectativa é de que o limite de renda de famílias contempladas na faixa 3 do programa seja ampliado de 6,5 mil para cerca de 7 mil reais, e o teto de valor do imóvel seja elevado de 225 mil para quase 240 mil reais, contou Martins.

Para a modalidade 1 do MCMV, o setor espera que o valor pago pelo governo federal por unidade construída, atualmente de 76 mil reais, seja reajustado pela inflação dos últimos 12 meses, comentou Ronaldo Cury, vice-presidente de Habitação Popular do Sindicato da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP).

As medidas devem ajudar o governo federal a alcançar as metas para o MCMV em 2017, que segundo Cury compreendem 170 mil unidades na faixa 1 e 440 mil unidades para 1,5, 2 e 3. Em 2016, afirmou o vice-presidente do Sinduscon-SP, foram entregues cerca de 250 mil unidades nas três faixas superiores.   Continuação...