Setor de serviços permanece em contração em janeiro em meio a confiança baixa, mostra PMI

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017 10:00 BRST
 

Por Camila Moreira

SÃO PAULO (Reuters) - A entrada de novos negócios caiu em janeiro pelo terceiro mês seguido e manteve o setor de serviços do Brasil em contração, levando a confiança ao menor nível em sete meses, indicou o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) divulgado nesta quinta-feira.

Com o cenário econômico fraco no país, escassez de capital de giro e ausência de novos negócios, o PMI de serviços permaneceu em janeiro no mesmo nível do mês anterior, de 45,1, chegando ao 23º mês abaixo da marca de 50 que separa crescimento de contração.

De acordo com o IHS Markit, que realiza o levantamento, o volume de entrada de novos negócios apresentou queda pelo terceiro mês consecutivo devido à fraqueza da demanda, ainda que a taxa de contração tenha sido em janeiro mais lenta do que a média registrada em 2016.

As entradas de novos negócios recuaram em quatro das seis categorias monitoradas, sendo as exceções Intermediação Financeira e Hotéis e Restaurantes.

O grau de otimismo entre os fornecedores de serviços atingiu um recorde de baixa de sete meses. Embora haja expectativas de recuperação econômica, as preocupações com a rapidez dessa retomada restringiram o otimismo.

"A demanda persistentemente fraca e a crise econômica continuam a impactar o desempenho do setor. As empresas mantêm alguma esperança de que a situação vai melhorar em 2017, mas as preocupações com a velocidade da recuperação pesam sobre a confiança", destacou a economista do IHS Markit Pollyanna De Lima.

Com capacidade produtiva ociosa, dificuldades econômicas e redução de custos, os fornecedores de serviços do Brasil reduziram os níveis de emprego de forma mais acentuada do que em dezembro.

Os mais afetados foram os funcionários dos setores de Intermediação Financeira e de Transporte e Armazenamento.

Em relação à inflação, a de insumos acelerou em janeiro diante dos preços mais altos de alimentos e combustíveis, porém as empresas reduziram os preços de venda buscando atrair a demanda.

Com a queda mais forte do PMI da indústria em janeiro, o PMI Composto do Brasil caiu para a mínima de cinco meses de 44,7, sobre 45,2 em dezembro.