Macron oferece refúgio na França a cientistas e empresários norte-americanos

sábado, 4 de fevereiro de 2017 17:43 BRST
 

LYON (Reuters) - O candidato presidencial francês Emmanuel Macron pediu neste sábado que cientistas, acadêmicos e empresários norte-americanos desgostosos com a administração Donald Trump se mudem para a França.

Ex-ministro da Economia e um dos principais candidatos nas pesquisas, ele pediu que cientistas que trabalham com mudanças climáticas, energias renováveis e saúde, e que estão preocupados com a nova situação política, busquem uma nova vida do outro lado do Oceano Atlântico.

    “Eu quero que todos aqueles que encarnam a inovação e a excelência nos Estados Unidos ouçam o que dizemos: de agora em diante, a partir de maio, vocês terão uma nova pátria, a França”, disse.

    Contas no Twitter que expõem preocupações de funcionários de mais de uma dúzia de agências do governo norte-americano foram lançadas em desafio ao que chamam de tentativas de Trump de prejudicar as pesquisas sobre mudanças climáticas e outras ciências.

    Representando cientistas da Agência de Proteção Ambiental, a Nasa e outras agências, diretamente ou por meio de amigos e apoiadores, as contas protestam contra restrições ocorridas desde a posse de Trump, em 20 de janeiro, e que os funcionários classificam como censura.

    Sem citar Trump em seu discurso de campanha na cidade de Lyon, Macron, ex-banqueiro de investimentos, disse que seu “pedido solene” foi feito para que “todos os pesquisadores, acadêmicos e empresas nos Estados Unidos que lutam contra o obscurantismo e que hoje estão com medo” se juntem à terra da inovação que ele deseja que a França se torne.

    A campanha de Macron para o palácio do Eliseu ganhou impulso após um escândalo de pagamentos por trabalhos falsos envolvendo seu principal rival, o conservador François Fillon, e com a nomeação de um candidato de extrema-esquerda para representar o Partido Socialista, que está no poder.

    O político de 39 anos é visto como favorito para chegar ao segundo turno, em maio, contra a candidata da extrema-direita, Marine Le Pen. Ele tem uma vantagem confortável sobre ela no desempate, de acordo com pesquisas de opinião publicadas nesta semana.

    Macron também realizou uma crítica velada à proposta de Trump de construir um muro na fronteira com o México, comparando-o com à francesa Linha Maginot, que em 1940 falhou em manter os nazistas fora da França.   Continuação...