Apesar de desemprego alto, rotatividade no mercado de trabalho se mantém elevada

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017 17:10 BRST
 

Por Luiz Guilherme Gerbelli

SÃO PAULO (Reuters) - A recente disparada do desemprego no Brasil não foi suficiente para reduzir na mesma proporção a rotatividade de mão de obra no mercado de trabalho, que se mantém no patamar de uma década atrás e prejudica o ganho de produtividade das empresas.

Uma das principais causas de tantas pessoas ainda trocarem com frequência de emprego são os benefícios que encontram, como o seguro-desemprego, mesmo após investidas do governo para atacar fraudes e dificultar seu acesso.

A rotatividade do mercado de trabalho encerrou dezembro passado em 4,71 pontos percentuais, recuando ao mesmo patamar de 2007, calculou a consultoria Tendências a pedido da Reuters com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho.

Nesse período, no entanto, as taxas de desemprego estavam bem diferentes. Em 2007, segundo a consultoria Tendências, o desemprego médio simulado para a Pnad Contínua --a pesquisa do IBGE tem dados somente a partir de 2012-- era de 9,2 por cento, bem abaixo dos 11,5 por cento do ano passado.

O auge da rotatividade, no início desta década, quando o Brasil tinha situação de pleno emprego, rondou os 7 pontos percentuais.

"É curioso que, apesar do desemprego mais elevado, a rotatividade não tenha recuado tanto", afirmou a economista da Tendências e responsável pelo cálculo, Alessandra Ribeiro.

O cálculo da rotatividade leva em conta a soma da quantidade de trabalhadores admitidos e desligados do Caged em relação ao total de brasileiros empregados com carteira de trabalho assinada.

Em dezembro, por exemplo, o Brasil teve 869 mil admissões, 1,331 milhão de desligamentos, para um estoque de 46,689 milhões de trabalhadores.   Continuação...