Brasil questiona na OMC 30 programas do Canadá que beneficiaram a Bombardier

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017 17:42 BRST
 

Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) - O governo brasileiro questionará na Organização Mundial do Comércio mais de 30 programas canadenses de apoio à fabricante de aeronaves Bombardier, principal concorrente da Embraer, em pedido de consultas aberto nesta quarta-feira, informou o subsecretário-geral de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty, embaixador Carlos Márcio Cozendey.

De acordo com o embaixador, os programas vão desde financiamentos à pesquisa e inovação, isenção de impostos territoriais até aportes diretos de recursos na empresa, somando 4 bilhões de dólares.

"Alguns são proibidos pelas normas da OMC, como os vinculados à exportação. Outros são permitidos, mas não a ponto de causar efeitos adversos a outros competidores", explicou Cozendey.

Um dos principais pontos questionados pelo governo brasileiro é o aporte de 2,5 bilhões de dólares feito à Bombardier pelo governo da Província de Quebec. Parte desses recursos foram usados para formar uma empresa dedicada exclusivamente ao desenvolvimentos dos jatos C-Series - projeto que estava atrasado e com dificuldades de financiamento

Segundo as informações levantadas pelo governo brasileiro, o governo de Quebec formou uma joint venture com a Bombardier, ficando com 49 por cento das ações da empresa. "O C-Series é mais um jato do governo de Quebec que da Bombardier", disse o embaixador.

A outra parte foi um aporte de 1,5 bilhão de dólares feito à Bombardier Transportation UK, uma empresa que, segundo o Itamaraty, não precisaria de recursos novos. "As indicações que temos é de que os recursos foram para financiar a empresa como um todo", afirmou Cozendey.

O ministro de Inovação do Canadá, Navdeep Bains, anunciou na terça-feira um pacote de ajuda a fabricantes de aeronaves, com empréstimos no valor total de 283 milhões de dólares à Bombardier, com juros zero. A nova ajuda à empresa deve ser somada ao pedido de consultas brasileiro como mais um subsídio.

Fontes do governo canadense ainda disseram à Reuters que há espaço para novos empréstimos à empresa, em caso de necessidade.   Continuação...

 
Avião voa sobre uma fábrica da Bombardier em Montreal, Quebec 21/01/ 2014.   REUTERS/Christinne Muschi