Brasil questiona na OMC 30 programas do Canadá que beneficiaram a Bombardier

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017 20:35 BRST
 

Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) - O governo brasileiro entrou nesta quarta-feira com uma queixa contra o Canadá na Organização Mundial do Comércio, acusando o país de distorcer a indústria aeroespacial global com subsídios concendidos à fabricante de aeronaves Bombardier BBDb.TO, principal concorrente da brasileira Embraer EMBR3.SA.

O pedido de consultas aberto nesta quarta-feira questionará mais de 30 programas canadenses de apoio à Bombardier, disse o subsecretário-geral de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty, embaixador Carlos Márcio Cozendey.

De acordo com o embaixador, os programas vão desde financiamentos à pesquisa e inovação, isenção de impostos territoriais até aportes diretos de recursos na empresa, somando 4 bilhões de dólares.

"Alguns são proibidos pelas normas da OMC, como os vinculados à exportação. Outros são permitidos, mas não a ponto de causar efeitos adversos a outros competidores", explicou Cozendey.

Um dos principais pontos questionados pelo governo brasileiro é o aporte de 2,5 bilhões de dólares feito à Bombardier pelo governo da Província de Quebec. Parte desses recursos foram usados para formar uma empresa dedicada exclusivamente ao desenvolvimentos dos jatos C-Series - projeto que estava atrasado e com dificuldades de financiamento

Segundo as informações levantadas pelo governo brasileiro, o governo de Quebec formou uma joint venture com a Bombardier, ficando com 49 por cento das ações da empresa. "O C-Series é mais um jato do governo de Quebec que da Bombardier", disse o embaixador.

A outra parte foi um aporte de 1,5 bilhão de dólares feito à Bombardier Transportation UK, uma empresa que, segundo o Itamaraty, não precisaria de recursos novos. "As indicações que temos é de que os recursos foram para financiar a empresa como um todo", afirmou Cozendey.

A Embraer apoiou o pedido de consultas do governo brasileiro.   Continuação...

 
Jato CS300 da Bombardier. 29/04/2016.  REUTERS/Christinne Muschi/File Photo