Chuva menor e nova regra ameaçam bandeira amarela na tarifa de energia após maio

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017 16:40 BRST
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - Precipitações abaixo da média mesmo em pleno período úmido e uma mudança regulatória já anunciada fazer crescer as chances de bandeira amarela nas tarifas de eletricidade a partir de maio, o que pode elevar custos para o consumidor, afirmaram especialistas à Reuters.

O governo oficializou nesta quinta-feira uma nova fórmula para cálculo dos preços spot da energia elétrica, ou Preço de Liquidação das Diferenças, que a partir de maio adotará critérios mais pessimistas, o que na prática se traduz em preços médios mais elevados.

As bandeiras tarifárias sinalizam para o consumidor se há abundância ou escassez na oferta de energia e tentam estimular uma redução no consumo por meio da aplicação de uma cobrança extra por kilowatt-hora. O patamar dos preços spot guia a mudança da bandeira, que pode ser verde, amarela ou vermelha.

Atualmente, a bandeira amarela é acionada quando o PLD ultrapassa os 211 reais por megawatt-hora, ante patamar atual (bandeira verde) de cerca de 110 reais na maior parte do país e 171 reais no Nordeste, que sofre uma forte seca há anos.

"A chance de bandeira amarela é grande... e nem estamos assumindo um cenário muito seco. Mesmo em um cenário (com chuvas) um pouco abaixo da média o risco de ter a bandeira é muito grande", disse à Reuters o sócio-diretor da comercializadora de eletricidade Compass, Marcelo Parodi.

O analista de mercado da Safira Energia, Lucas Rodrigues, prevê um PLD de entre 215 e 220 reais por megawatt-hora em maio se as chuvas continuarem no atual ritmo, o que já poderia disparar a bandeira amarela.

"Se a chuva (na área dos reservatórios das hidrelétricas) for ruim, 10 por cento abaixo do esperado, pode chegar a 300 reais... se vier melhor (do que o previsto hoje), pode ser que fique um pouco abaixo de 200 reais em maio", apontou.

O diretor da Delta Energia, Geraldo Mota, explicou que a mudança no cálculo do PLD tende a antecipar o uso de termelétricas para evitar sustos na oferta decorrentes da falta de chuvas, porque torna o sistema mais avesso a um eventual risco de racionamento no futuro.   Continuação...