Crise passa longe de feira de equipamentos de café com busca por qualidade do produto

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017 09:11 BRST
 

Por Roberto Samora

GUAXUPÉ, Minas Gerais (Reuters) - A crise econômica que atinge o Brasil parece passar longe da Feira de Máquinas, Implementos e Insumos Agrícolas (Femagri), o mais importante evento dedicado aos cafeicultores do país, maior produtor e exportador global da commodity.

Nos mais de 100 mil metros quadrados da Femagri, realizada em Guaxupé (MG), produtores de café e suas famílias lotam os estandes desde quarta-feira, quando foi registrado um recorde de público de mais de 10 mil pessoas para um primeiro dia do evento.

No embalo de músicas sertanejas, o som ambiente da área coberta de 34 mil metros quadrados da Femagri, os cafeicultores, em geral pequenos produtores, realizam investimentos com a ajuda de juros baixos e subsidiados pelo governo, visando principalmente melhorar a qualidade do café em busca de preços mais altos no mercado.

Após a colheita de uma safra recorde no Brasil em 2016, que ainda assim não foi suficiente para gerar estoques adequados, dada a forte demanda que elevou as cotações do café a níveis históricos, agricultores planejam aproveitar as oportunidades para melhorar o maquinário, uma demanda que a indústria de equipamentos mostra-se pronta a atender.

A organização da Femagri, da Cooxupé, a maior cooperativa de cafeicultores do mundo, tem a expectativa de aumento do número de negócios da feira de 16 por cento ante 2016, quando foram vendidos 120 milhões de reais em equipamentos.

Isso com os expositores oferecendo uma série de lançamentos para os produtores, que incluem despolpadores a seco, produzido pela Pinhalense, líder global na produção de máquinas para o setor cafeeiro, ou o secador estático, da Palini, que elimina a secagem do grão no terreiro, ou mesmo uma simples “moto transporte”, inovação que pode fazer as vezes de um trator para transporte da colheita numa pequena propriedade.

“O país está em recessão, não a agricultura, que vive um outro momento, e o café vive um momento melhor que as outras commodities”, afirmou à Reuters o presidente da Pinhalense, Reymar Coutinho de Andrade, que se orgulha de dizer que mais da metade do café consumido no mundo passou por pelo menos uma máquina da companhia, com sede no interior de São Paulo.

Além de contar com uma forte demanda brasileira e internacional pelo café, o produtor nacional tem ajuda das condições de financiamento facilitadas na feira, que incluem políticas públicas do Plano Safra, com juros de 5,5 por cento ao ano, financiamentos de dez anos, com três de carência, para os pequenos produtores, uma categoria de agricultores que detêm pequenas propriedades, algo dominante na cafeitultura, diferentemente da soja, cuja cultura é realizada em grandes áreas de milhares de hectares.   Continuação...