ANÁLISE-Inflação em queda livre impulsiona apostas sobre corte da meta

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017 14:36 BRST
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - Investidores estão dando o benefício da dúvida ao Banco Central pela primeira vez em pelo menos sete anos ao apostarem que as expectativas de inflação em queda abrirão espaço para um corte da meta de alta de preços.

A inflação implícita de dois anos, uma medida das expectativas do mercado para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), fechou em 4,35 por cento na segunda-feira, segundo dados compilados pela Anbima.

É a primeira vez que a métrica cai abaixo do centro da meta do governo, de 4,5 por cento, desde o início da série histórica, em setembro de 2009.

A inflação implícita de três anos também está abaixo do centro da meta, destacando a crescente confiança dos investidores na capacidade do presidente do BC, Ilan Goldfajn, de controlar consistentemente a alta dos preços.

"A discussão sobre se vamos atingir a meta acabou. A questão agora é se teremos uma meta mais baixa nos próximos anos", disse o operador de renda fixa da corretora Renascença Bruno Mota Gouvêa.

A credibilidade retomada do BC está alimentando esperanças de que o Brasil possa finalmente virar a página após décadas de inflação alta.

Mas céticos dizem que isso dependerá não só da política monetária, mas também da aprovação de uma série de reformas estruturais pelo presidente Michel Temer antes das eleições de 2018, que já carregam a promessa de forte incerteza.

O regime brasileiro de metas de inflação há muito enfrenta dificuldades ligadas a leis atrelando transferências do governo, salários e preços administrados à inflação passada, uma herança de um período de hiperinflação nas décadas de 1980 e 1990.   Continuação...