Petrobras reduz importação de gás da Bolívia para 45% do total contratado

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017 15:29 BRST
 

Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Petrobras reduziu a importação de gás natural da Bolívia para cerca de 45 por cento do volume máximo diário contratado com a estatal boliviana YPFB, devido à queda da demanda interna e ao aumento da oferta nacional, disse a companhia à Reuters nesta quarta-feira.

Nos últimos anos, a importação de gás da Bolívia girou em torno dos 30 milhões de metros cúbicos/dia, próximo do volume total contratado.

"A queda na importação reflete a redução conjuntural da demanda brasileira termelétrica e do mercado industrial, somada ao aumento da oferta de gás nacional, e está de acordo com as obrigações e direitos da Petrobras em seus contratos", disse a empresa, em resposta a questionamentos da Reuters.

A Petrobras não detalhou os termos do contrato ou informou qual o volume exato que está sendo importado da Bolívia.

Mas, segundo o especialista da Universidade Federal do Rio de Janeiro Edmar de Almeida, o contrato da Petrobras com a Bolívia prevê um pagamento obrigatório mínimo pela carga de 24 milhões de metros cúbicos/dia, mesmo que o volume não seja totalmente importado no momento.

"Os 24 milhões (de metros cúbicos/dia) são o mínimo que ela tem que pagar, é o 'take or pay'. Se ela estiver importando menos, ela vai pagar esse valor e fica com um crédito de gás para puxar depois", explicou o professor.

Na nota, a Petrobras destacou que o atual contrato de importação está previsto para terminar em 31 de dezembro de 2019, podendo ser automaticamente prorrogado até que todo o volume máximo contratado seja retirado pela petroleira.

Com a proximidade do fim do contrato, agentes de mercado têm se perguntado qual será a postura da empresa na contratação futura do gás boliviano, uma vez que a Petrobras está reduzindo sua participação neste mercado, vendendo ativos de gás e abrindo espaço para novos competidores.   Continuação...

 
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