Economia do Brasil encolhe 4,55% em 2016, aponta BC

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017 12:09 BRST
 

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - A economia brasileira registrou tombo recorde em 2016, marcando o segundo ano consecutivo de profunda recessão, indicou o Banco Central nesta quinta-feira, com especialistas indicando que a recuperação virá neste início de 2017, mas ainda tímida.

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), espécie de sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB), caiu 4,55 por cento em 2016, em dado dessazonalizado. Em 2015, ainda pelo indicador, a atividade havia recuado 4,07 por cento.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga o resultado oficial do PIB de 2016 dia 7 de março.

Somente no quarto trimestre, o IBC-Br mostrou queda de 0,36 por cento sobre os três meses anteriores, sempre em dados dessazonalizados. Em dezembro, o índice caiu 0,26 por cento ante novembro, desempenho mais fraco que a contração de 0,20 por cento estimada em pesquisa da Reuters.

"O resultado só sintetiza tudo que os outros indicadores vinham mostrando", avaliou o economista da Tendências Rafael Bacciotti, que prevê queda do PIB em 2016 da mesma magnitude da observada em 2015, de 3,77 por cento pelo IBGE.

Para este ano, a estimativa é de alta de 0,7 por cento na atividade, embalada por impulsos do lado da produção, além de um cenário de inflação mais baixa e juros mais favoráveis. A recuperação, segundo Bacciotti, ocorrerá já no primeiro trimestre, mas ainda modesta, com alta de 0,1 por cento sobre o trimestre anterior.

Por ora, a expectativa de economistas na pesquisa Focus mais recente, realizada pelo BC junto a uma centena de economistas, é de queda de 3,5 por cento do PIB em 2016. Os dados corroboram a leitura da pior recessão atravessada pelo país em dois anos desde que os registros oficiais começaram, em 1901.

Para este ano, a projeção do mercado é de expansão de 0,48 por cento do PIB, mas bancos e consultorias já começaram a melhorar suas previsões diante das boas surpresas vindas da inflação, que tem desacelerado mais do que o esperado recentemente e alimentado expectativas de cortes mais agressivos de juros. O banco Santander, por exemplo, vê expansão de 0,7 por cento do PIB neste ano, mas com viés de alta.   Continuação...

 
Sede do Banco Central, em Brasília.    23/09/2015      REUTERS/Ueslei Marcelino