BM&FBovespa diz que conversas com Cade sobre Cetip não envolvem venda de ativos

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017 14:57 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - A BM&FBovespa considera ter apresentado propostas adequadas para remediar preocupações do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sobre a fusão com a Cetip e disse que não há discussões até o momento sobre possível venda de ativos, disseram executivos na bolsa nesta segunda-feira.

"Acho que apresentamos propostas adequadas para resolver as principais preocupações do regulador, que são a política de preços e o acesso a dados", disse o diretor financeiro e de relações com investidores da empresa, Daniel Sonder, durante apresentação sobre os resultados do quarto trimestre.

O executivo disse, no entanto, que a análise do caso pode levar ainda mais 30 dias depois da extensão pedida pela própria BMFBovespa, o que levaria o prazo final para 24 de maio. A bolsa pediu recentemente extensão de 60 dias do prazo para análise da operação, para 24 de abril.

A BM&FBovespa anunciou em abril passado a compra da Cetip, em negócio avaliado em cerca de 12 bilhões de reais. Em outubro, o órgão antitruste classificou o caso como complexo, pouco antes de sua superintendência-geral sugerir "remédios" para solucionar problemas concorrenciais.

Segundo o presidente-executivo da empresa, Edemir Pinto, não houve até agora discussões sobre eventual venda de ativos como condição para o Cade aprovar o negócio. "Uma exigência de venda de ativos seria uma surpresa para nós", disse Edemir.

Segundo Sonder, a BM&FBovespa deve voltar a ser uma empresa com baixo endividamento após concluir a amortização de dívidas para compra da Cetip, o que deve acontecer em até 3 anos.

Em dezembro, a BM&FBovespa anunciou uma emissão de 3 bilhões de reais em debêntures para ajudar a custear o negócio.

Até lá, a empresa não deve fazer recompras de ações. Mas o objetivo é manter ou até elevar o percentual do lucro distribuído aos acionistas, que foi de 63 por cento em 2016. E a bolsa tende a fazer a distribuição dessa remuneração por meio de juros sobre o capital próprio, o que lhe daria maiores vantagens fiscais, disse Sonder.

A BM&FBovespa anunciou na sexta-feira à noite que teve lucro quase bilionário no quarto trimestre, impulsionado por uma movimentação contábil e pelo aumento das receitas, que refletiu a melhora do mercado acionário brasileiro.   Continuação...