EXCLUSIVO-Odebrecht busca acelerar acordos na América Latina para vender ativos, dizem fontes

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017 12:34 BRT
 

Por Guillermo Parra-Bernal e Tatiana Bautzer

SÃO PAULO (Reuters) - A Odebrecht quer negociar multas e acordos de leniência relacionados às investigações sobre corrupção com vários países da América Latina até junho, o que ajudaria o conglomerado brasileiro de engenharia a evitar uma negociação em meio ao período eleitoral em toda a região, que poderia atrasar as planejadas vendas de ativos, disseram duas fontes familiarizadas com o assunto.

De acordo com essas fontes, a Odebrecht espera vender cerca de 6,5 bilhões de reais em participações, licenças de exploração na região e em Angola até o fim do ano. A Odebrecht já vendeu cerca de 5 bilhões de reais em ativos de uma meta fixada no ano passado de 12 bilhões de reais.

A evolução das vendas de ativos ainda pendentes dependerá da rapidez com que os governos regionais decidam as multas e penalidades para a Odebrecht, que admitiu pagar suborno para ganhar projetos em anos recentes. Procuradores de 10 países da América Latina criaram uma força-tarefa para compartilhar evidências sobre o funcionamento do esquema.

Vários desinvestimentos planejados, como o do projeto de mineração de Catoca, em Angola, e uma participação de 28 por cento na hidrelétrica Santo Antônio podem ser finalizados no final deste ano, disseram as fontes. A venda do Gasoducto Sur Peruano demorará mais tempo, citaram as fontes, após a decisão do governo do Peru de retomar a concessão do gasoduto e realizar novo leilão.

A resolução de litígios nesses países o mais rapidamente possível é fundamental para ajudar a Odebrecht a acelerar a venda dos ativos e evitar a coincidência das discussões com as campanhas eleitorais na região. Dos 10 países que investigam a Odebrecht, oito contarão com pelo menos uma eleição presidencial, no Congresso ou estadual nos 18 meses até dezembro de 2018.

Além do Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Equador, México, Peru, República Dominicana, Venezuela e Panamá estão investigando o esquema da Odebrecht.

O conglomerado sediado em Salvador não quis comentar. As fontes pediram anonimato por causa da sensibilidade do assunto.

A Odebrecht é a maior entre as empreiteiras brasileiras acusadas de conluio para superfaturar contratos da Petrobras e outras empresas estatais, e então usar parte disso em doações e propinas para aliados políticos domésticos e no exterior.   Continuação...