Thyssenkrupp espera prejuízo líquido com baixa contábil relativa à venda da CSA

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017 13:12 BRT
 

SÃO PAULO/ESSEN (Reuters) - A Thyssenkrupp prevê que a venda da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA) para Ternium resultará em um prejuízo líquido por causa de uma baixa contábil de 900 milhões de euros relativa à siderúrgica brasileira.

A empresa alemã firmou acordo para vender 100 por cento de sua participação na CSA para Ternium em negócio avaliado em 1,5 bilhão de euros. O valor da operação tomou como base dados de setembro do ano passado, e que inclui dívida de 300 milhões de euros da CSA com o BNDES, segundo informou a Ternium.

A Thyssenkrupp, por sua vez, deve contabilizar a entrada do capital somente na conclusão da venda, prevista para o fim de setembro, mas a baixa contábil já deve ser computada na assinatura do contrato.

Anteriormente, a companhia alemã informou que previa que o lucro líquido do ano financeiro encerrado em setembro fosse melhor que o de 296 milhões de euros apurado no ano anterior.

A venda foi firmada a um preço bem inferior aos 3 bilhões de dólares inicialmente previstos por analistas. O acordo marca a saída da Thyssenkrupp dos negócios de siderurgia nas Américas, que compreendiam, além da CSA, uma usina no Alabama vendida em 2014. As perdas com as operações somaram 8 bilhões de euros ao longo dos anos.

Para o diretor financeiro da Thyssenkrupp, o negócio com a Ternium é "claramente um sinal positivo" para as negociações do grupo alemão com a indiana Tata Steel acerca de uma possível fusão das unidades de siderurgia na Europa.

"Com essa venda, um marco importante na transformação da empresa pode ser atingido e o capítulo bem negativo 'Siderurgia nas Américas' pode ser encerrado", disse o analista do DZ Bank, Dirk Schlamp, em nota.

O acordo também deve reduzir a exposição da Thyssenkrupp a oscilações cambiais, bem como a possíveis riscos decorrentes das promessas protecionistas do presidente Donald Trump, que podem implicar em tarifas sobre importações.

No início da década, a Thyssenkrupp decidiu mudar seu foco da siderurgia para se concentrar em negócios mais lucrativos, como elevadores, submarinos e peças automotivas, além de expandir as operações na Europa.   Continuação...