BC reduz juro básico a 12,25% e diz que ritmo de corte dependerá da atividade

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017 10:05 BRT
 

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central reduziu nesta quarta-feira a taxa básica de juros em 0,75 ponto percentual pela segunda vez seguida, a 12,25 por cento, menor nível em dois anos, diante da fraca atividade econômica e sinais favoráveis para a inflação, e deixou a porta aberta para acelerar o passo em breve.

O BC ressaltou que a economia, que nos últimos dois anos viveu forte recessão e ainda dá sinais mais tímidos de recuperação, terá forte peso nas decisões daqui para frente.

"Uma possível intensificação do ritmo de flexibilização monetária dependerá da estimativa da extensão do ciclo mas, também, da evolução da atividade econômica, dos demais fatores de risco e das projeções e expectativas de inflação", afirmou o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC em comunicado.

A decisão era amplamente esperada pelo mercado. Em pesquisa Reuters, 53 de 54 analistas consultados previram redução de 0,75 ponto percentual para a Selic.

"O mercado tende a reagir com redução de taxas... embutindo probabilidade maior de corte de 1 ponto na próxima reunião (do Copom)", afirmou o economista-chefe do banco Santander, Maurício Molan, acrescentando que o BC indicou "claramente que a 9 por cento, que é o que o mercado projeta, a meta (de inflação) está cumprida".

Ao reduzir sua projeção de inflação a cerca de 4,2 por cento em 2017 no cenário de mercado, ante 4,4 por cento, e mantendo a visão de alta do IPCA a 4,5 por cento no ano seguinte, o BC ressaltou que esses cenários embutem hipótese de que a Selic alcance 9,5 e 9 por cento ao final de 2017 e 2018, respectivamente.

E, diferentemente dos outros comunicados sob a gestão de Ilan Goldfajn, o BC não fez projeção para a inflação pelo cenário de referência.

Com a investida, o BC fez sua quarta redução na Selic, após dois cortes de 0,25 ponto percentual cada e um de 0,75 ponto, no mês passado.   Continuação...

 
Pessoas diante do Banco Central em Brasília.  23/9/2015.  REUTERS/Ueslei Marcelino