Trump diz que China é "grande campeã" de manipulação cambial

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017 21:16 BRT
 

Por Steve Holland e David Lawder

WASHINGTON (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou na quinta-feira que a China é a "grande campeã" da manipulação cambial, poucas horas depois de seu novo secretário do Tesouro prometer uma abordagem mais metódica para analisar as práticas cambiais de Pequim.

Em uma entrevista exclusiva à Reuters, Trump disse que não "conteve" sua avaliação de que a China manipula sua moeda, o iuan, apesar de não ter cumprido a promessa de campanha de declarar o país como manipulador do câmbio em seu primeiro dia de governo.

"Bem eles, eu acho que eles são grandes campeões em manipulação do câmbio. Então eu não me contive", disse Trump. - "Vamos ver o que acontece."

Durante sua campanha presidencial, Trump frequentemente acusou a China de manter sua moeda artificialmente baixa contra o dólar para tornar as exportações chinesas mais baratas, "roubando" empregos na indústria norte-americana.

Mas o secretário do Tesouro, Stephen Mnuchin, disse à CNBC na quinta-feira que não estava pronto para julgar as práticas cambiais chinesas.

Perguntado se o Tesouro dos EUA planejava declarar em breve a China como manipulador do câmbio, Mnuchin afirmou que iria seguir seu processo normal de análise das práticas cambiais dos principais parceiros comerciais dos EUA.

O Tesouro é obrigado a publicar relatórios sobre essas práticas todos os anos em 15 de abril e 15 de outubro.

"Temos um processo dentro do Tesouro em que examinamos a manipulação do câmbio com toda a diretoria. Teremos esse processo. Faremos isso como fizemos no passado", disse Mnuchin em sua primeira entrevista televisiva desde que assumiu formalmente o posto na semana passada. "Nós não estamos fazendo nenhum julgamento até que continuemos esse processo."

Uma declaração formal de que a China ou qualquer outro país manipula sua moeda exige que o Tesouro dos EUA busque negociações para resolver a situação, um processo que pode acabar com a imposição de tarifas punitivas sobre os bens do agressor.

 
Trump concede entrevista à Reuters na Casa Branca.  23/2/2017.  REUTERS/Jonathan Ernst