Dólar salta mais de 1% e encosta em R$3,10 antes do Carnaval e de olho em Trump

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017 10:57 BRT
 

Por Claudia Violante

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar subia mais de 1 por cento ante o real neste último pregão de fevereiro, com os investidores se protegendo para a folga prolongada de Carnaval e de olho no discurso que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fará nesta sexta-feira, em busca de mais sinais sobre sua política econômica.

Às 10:43, o dólar avançava 1,22 por cento, a 3,0937 reais na venda, depois de ter fechado na véspera a 3,0565 reais, menor nível em quase dois anos. O dólar futuro subia cerca de 0,85 por cento.

"É normal o mercado se proteger em feriados longos, isso não significa mudança na trajetória de baixa (do dólar), comentou o profissional da mesa de câmbio de uma corretora nacional.

Com as festas do Carnaval, os mercados financeiros locais voltam a funcionar apenas na quarta-feira, o que levava os investidores a assumirem posições mais defensivas, antecipando-se a eventuais noticiários que possam sair no feriado e gerar turbulências.

Na véspera, foi noticiado que José Yunes, ex-assessor especial da Presidência e amigo do presidente Michel Temer, disse ter recebido um pacote em seu escritório a pedido do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, e em seguida o teria entregado ao doleiro Lúcio Funaro, preso no âmbito da Lava Jato.

O temor entre os investidores é de que esse quadro político, caso evolua, possa atrapalhar a votação de importantes projetos do governo no Congresso Nacional, como a reforma da Previdência.

Além disso, também afetava o fato de a escolha de Osmar Serraglio (PMDB-PR) para o Ministério da Justiça ter gerado fortes reações na bancada do PMDB na Câmara dos Deputados.

"A escolha de Serraglio se destaca por ter criado divergências dentro do PMDB, podendo dificultar o caminho para aprovação de reformas no lugar de facilitar", comentou a corretora Advanced em relatório.   Continuação...

 
Notas de dólar e real em casa de câmbio no Rio de Janeiro. 10/09/2015  REUTERS/Ricardo Moraes