Retração nas vendas de soja e milho no Brasil ameaça exportação, pressiona tradings

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017 19:06 BRT
 

Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO (Reuters) - A relutância de agricultores em vender soja e milho no Brasil na atual safra coloca em risco as previsões mais otimistas de exportação do país e tem feito tradings multinacionais pagarem caro para completar navios neste início da temporada de embarques.

O que poderia ser tarefa fácil do ponto de vista da oferta --com uma safra recorde de mais de 100 milhões de toneladas de soja no maior exportador global-- tem se mostrado por ora complicado, com os preços internacionais em Chicago (CBOT) e a valorização do real frente ao dólar desestimulando vendas de produtores no Brasil.

Assim, grandes tradings exportadoras têm enfrentado dificuldade para cumprir os contratos de exportação de soja já firmados, pagando valores elevados pelo produto para pronta entrega para completar as cargas de navios que estão chegando aos portos brasileiros, disseram operadores.

"O mercado está nervoso. O line up (de navios) está lotado e está faltando carga nos portos. Os produtores não estão fixando (contratos) e o câmbio e a CBOT só pioram a situação. As tradings estão pagando caro pela soja no mercado à vista", disse o consultor de agronegócio e logística Luiz Claudio Santos, com larga experiência na área comercial em diversas tradings.

A situação fica ainda mais delicada em um momento em que chuvas fortes provocaram atoleiros no trecho não asfaltado da BR-163, estão impedindo que a soja chegue aos portos do Norte do país, o que resulta em prejuízos de 400 mil dólares ao dia, com a impossibilidade de embarcar o produto, informou nesta sexta-feira a associação que representa as indústrias da oleaginosa no Brasil (Abiove).

Entre as principais tradings que atuam no país estão companhias como as norte-americanas Bunge, ADM, Cargill, além da francesa Louis Dreyfus e a chinesa Cofco.

"Você não tem margem nenhuma (de preço) para levar para exportação", afirmou um analista de inteligência de mercado de uma trading, explicando que as multinacionais do agronegócio não estão conseguindo lucrar, pelo menos neste primeiro momento da exportação brasileira.

"As tradings normalmente resolvem essas coisas. Vendem com margem negativa", completou um operador sênior de grãos de outra grande empresa exportadora.   Continuação...

 
Produtor observa suas lavouras de soja em Barreiras, no Estado da Bahia
06/02/2014
REUTERS/Ueslei Marcelino