EXCLUSIVO-Chinesa XCMG e brasileira OAS negociam joint venture, diz fonte

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017 17:54 BRT
 

Por Guillermo Parra-Bernal

SÃO PAULO (Reuters) - A fabricante chinesa de máquinas pesadas Xuzhou Construction Machinery Group está negociando com a empresa brasileira de engenharia OAS a formação de uma joint venture para o setor de construção na África e na América Latina, disse nesta sexta-feira uma fonte com conhecimento direto sobre o assunto.

De acordo com a fonte, a empresa chinesa conhecida como XCMG vai contribuir com capital, equipamentos e financiamento para o empreendimento. A OAS entraria com expertise em projetos de construção civil e engenharia e uma série de contratos fora do Brasil, acrescentou a fonte.

O empreendimento seria o primeiro passo importante nos esforços da OAS para se reerguer quase três anos depois de ser envolvida na Lava Jato, maior escândalo de corrupção do país. Em 2015, a OAS tornou-se a primeira entre grandes construtoras do Brasil a declarar falência depois de ter sido alvo de acusação de pagar propinas a políticos para ganhar contratos lucrativos em empresas estatais.

As duas empresas veem o empreendimento prosperar na África, onde as companhias de construção brasileiras têm uma base estável de clientes e forte reputação após vários anos de execução de projetos bem sucedidos, acrescentou a fonte.

Os termos legais do empreendimento, ou se envolverá qualquer investimento em dinheiro ou participação cruzada, permanecem em discussão, disse a fonte, que pediu anonimato para falar sobre o assunto.

Para a XCMG, a quinta maior empresa de maquinário para construção e sua unidade listada em bolsa XCMG Construction Machinery, a parceria com a OAS ajudaria a acelerar os planos para crescer em países em desenvolvimento em um momento em que os preços de algumas commodities - a principal fonte de receita para a maioria desses países - estão se recuperando.

A OAS, com sede em São Paulo, se recusou a comentar, enquanto os esforços para contatar representantes da XCMG em São Paulo e Xuzhou, na China, não foram imediatamente bem sucedidos.

A OAS, que antes do escândalo emergir no início de 2014 era o quarto conglomerado de engenharia do Brasil, cortou mais de 30 mil postos de trabalho, vendeu ativos e até entrou com pedido de concordata para enfrentar o impacto do escândalo.   Continuação...