Petrobras manterá contabilidade questionada por CVM

quarta-feira, 8 de março de 2017 19:48 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Petrobras manterá na divulgação de seus resultados anuais de 2016, prevista para o dia 21 de março, a chamada contabilidade de hedge que está sendo questionada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), disse o diretor financeiro da estatal, Ivan Monteiro.

A afirmação foi feita em teleconferência na noite desta quarta-feira após a CVM determinar anteriormente que a Petrobras refaça e reapresente as demonstrações financeiras de 2013, 2014 e 2015 e também os balanços trimestrais de 2016, eliminando os efeitos contábeis decorrentes da prática de contabilidade de hedge.

A decisão da CVM, porém, está suspensa por ora, uma vez que a autarquia reconheceu a premissa da Petrobras de recorrer da determinação.

"A companhia pode e irá divulgar os seus resultados no dia 21 de março utilizando a prática contábil que adota hoje, não há por que falar em qualquer outra alternativa em relação a isso, porque não há decisão final (da CVM) e a companhia sequer apresentou o seu recurso", disse Monteiro a jornalistas.

Monteiro frisou que a Petrobras tem plena convicção de que seus balanços foram publicados de forma correta e está confiante de que a análise final da CVM será favorável para a empresa, até porque seus relatórios financeiros foram aprovados por auditores externos sem ressalvas.

Ele destacou ainda que a empresa também é acompanhada pelo órgão regulador do mercado de capitais norte-americano (SEC) e destacou que ele nunca questionou a forma como a empresa realiza a contabilidade de hedge, mesmo após as publicações da CVM.

A companhia tem até 15 dias, contados a partir do dia 3 de março, para apresentar seu recurso contra a decisão da autarquia.

Monteiro evitou, durante a teleconferência, falar em consequências caso a empresa não consiga reverter a determinação da órgão regulador e também não entrou em detalhes sobre quais serão os argumentos a serem apresentados.

Em nota a clientes, o Santander notou a ponderação da CVM, que argumentou que a Petrobras não poderia ter utilizado a contabilidade de hedge, aplicada desde meados de 2013, uma vez que a empresa foi importadora líquida, e o uso da metodologia só seria válido para exportadores líquidos.   Continuação...